segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Primeiramente, Fora Temer! No mais seguimos na Luta!

Primeiramente, é preciso dizer Fora Temer!

Mais do que nunca, é preciso denunciar o Golpe Parlamentar criado para afastar a presidenta Dilma Rousseff do poder. Uma unidade construída por um bloco derrotado nas eleições de 2014, por um parlamento conservador e corrupto, por um judiciário conivente, por uma mídia insaciável de poder e riqueza, por uma classe média zumbi alienada que sonha em apertar a bochecha do Pateta em Orlando e pelo oportunismo do Vice Presidente da República.

O Golpe vem para acelerar o processo de retirada de direitos dos trabalhadores, enfraquecer as políticas sociais (saúde, educação, assistência social, previdência, de desenvolvimento agrário, entre outras) para oprimir mulheres, negros, lgttbs e outras maiorias ou minorias, para manter os esquemas de corrupção e o Status Quo estabelecido em nosso país.

Rasga-se o Pacto Social da Nova República.

É fato que esta ruptura se construiu na margem da fraca governabilidade parlamentar construída pelos governos petistas. A opção por governar com as velhas raposas, dando lhe poder e se envolvendo nos esquemas de sangria dos recursos do fundo público foi ao mesmo tempo a sua jogada e a sua derrocada. 

Para nós sobra lutar contra o Golpe e seus orquestradores, sem esquecer dos erros e desvios estabelecidos. 

Também é o momento de lutar pelos Direitos e pelas Políticas Sociais, sem esquecer de fazer a crítica radical ao Estado de Mal-Estar Social Brasileiro.

Tudo isto, criando e recriando caminhos que nos leve e nos construa para uma nova sociedade. Sem medo do novo, do confronto, da luta, das mudanças e transformações. Com solidariedade, Política com P Maiúsculo, Justiça com J Maiúsculo, com força e ternura!

domingo, 4 de setembro de 2016

Organizar a resistência contra o governo ilegítimo de Temer, fortalecer o PSOL como a alternativa nas ruas e nas urnas

A votação do impeachment no Senado consumou um golpe palaciano, na forma de manobra parlamentar, retirando a faixa presidencial de Dilma Roussef. Neste dia 31 de agosto mais de 75% dos senadores (61 contra 21) consumaram o fato e retiraram a ex-presidenta do poder. Assim como na votação da Câmara de 17 de abril, a casta política escancarou ao vivo seu distanciamento com os reais problemas do povo.

Longe de estancar a sangria da crise, esta manobra viabiliza um governo tão ilegítimo quanto impopular. Com o principal cargo do executivo nacional assegurado Michel Temer compareceu às câmeras televisivas para anunciar que sua gestão estará a serviço do ajuste fiscal e do aprofundamento das medidas neoliberais. O cardápio reacionário de Temer/Meirelles está recheado de cortes nos direitos trabalhistas, um aumento na idade da aposentadoria, um plano de congelamento de gastos sociais por incríveis 20 anos, a redução dos direitos políticos dos partidos de esquerda, especialmente contra o PSOL,  como o caso da cláusula de barreira, entre outras medidas.

Todo esse pacote de maldades de um governo não-eleito vem em meio à uma crise social aguda, alimentada por uma situação econômica que não dá sinais de melhora. A taxa de desemprego cresce e já é a sétimo maior do mundo. A crise da dívida explode nos municípios e Estados ocasionando os mais diversos problemas sociais. A insegurança já domina os grandes centros urbanos,  a Saúde pública se deteriora, e os planos privados já não são opção por grande parte das famílias endividadas. A educação e a pesquisa já retrocedem anos com o escasso financiamento e o corte de bolsas.

Os dias de ilusões do “Brasil emergente” terminam de forma melancólica. O futuro não chegou. O PT cavou sua própria fossa ao se integrar às castas políticas corruptas, desenvolvendo uma forma de governo social-liberal que privilegiava fundamentalmente os ricaços em detrimento de sua base social. A posse de Temer foi a culminância de um conjunto de derrotas dirigidas pelas lideranças do PT, que se tornou um organizador de derrotas. Mesmo impopular, Temer consegue assumir sem resistência massiva porque a esmagadora maioria do povo não queria e não quer mais o governo do PT e de Dilma. Por isso, embora de forma ilegítima, Temer pode assumir sem ter que enfrentar o povo. Não há assim uma derrota do povo porque suas forças não foram testadas, porque em última instância o povo não saiu à luta e não tomou o conflito que tirou Dilma como um problema seu. É claro que há desorganização das forças populares e sobretudo ceticismo, resultado da direção do PT. Mas mesmo neste momento o povo busca una alternativa, uma parte do povo  busca  isso, como expressa a existência e a força atual do Psol. Há muitos lições a se extrair. Foram 30 anos de hegemonia do PT. Como não poderia deixar de ser há muitas lições desta experiência. Destas lições sustentamos que há necessidade de um novo programa e de uma estratégia nova.

Apesar da manobra bem sucedida pelas forças genuinamente representativas da burguesia e do conservadorismo, a situação deles para se estabilizar não será fácil. Praticamente todos os presidenciáveis para 2018, os líderes dos grandes partidos na Câmara e no Senado, os manda-chuvas do regime político estão na mira das investigações. O transbordamento da Lava-Jato já atinge toda a casta política, vide o presidente do PSDB goiano preso por operar um esquema de corrupção no seu governo estadual. Esta operação se tornou uma espada de Dâmocles sobre a cabeça dos políticos, apesar da sua instrumentalização pela mídia corporativa. O prestígio popular que os procuradores angariaram, ao prender empresários e políticos, dificulta a tarefa dos golpistas de sufocá-la.

Do nosso lado, temos o dever de servir para a organização das lutas sociais e políticas que estão por vir, em resistência a este governo reacionário e ilegítimo. O desafio concreto é fortalecer as nossas iniciativas de rua, militando incansavelmente para unir a luta por mais direitos com uma saída política.

Os processos de resistência se darão nos atos de rua, mas também nas ocupações de prédios públicos, na retomada das lutas sindicais e na reorganização de grandes frentes de lutas contra os retrocessos nos direitos sociais e políticos propostos por este governo. Porém neste momento agora o centro da disputa se dará a partir da apresentação de projetos distintos nestas eleições municipais. Neste processo, o PSOL aparece com chances interessantes de catapultar o sentimento geral de estafa com os partidos afogados no pântano da corrupção. Em Porto Alegre, Luciana Genro lidera heroicamente as pesquisas à prefeitura. O mesmo ocorre em Belém do Pará com Edmilson Rodrigues. No Rio e em São Paulo, a força de Freixo e Erundina nas pesquisas obriga o STF e a mídia corporativa a aceitar nossa participação nos debates. Se o pouco tempo de TV e a escassez de recursos atrapalham sobremaneira as nossas campanhas, temos a nosso favor um engajamento juvenil nas redes sociais que até os partidos burgueses são obrigados a reconhecer.

Um novo ciclo precisa se abrir, agora que o velho já esgotou seu sentido histórico.  O sentido comum da posição do PSOL nas pesquisas, a reorganização sindical – onde acabamos de ter uma vitória importante no Sindsaúde-RS – o que indica que a recomposição é geral. É a partir das lutas de resistência e na apresentação de alternativas nas eleições é que aceleramos os tempos e derrotaremos o projeto nefasto que a burguesia apresenta para o nosso país.

Nota do Secretariado Nacional do Mes/Psol

Fonte: http://esquerdasocialista.com.br/

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Primeiramente, Fora Temer! No mais seguimos na Luta!

Primeiramente, é preciso dizer Fora Temer!

Mais do que nunca, é preciso denunciar o Golpe Parlamentar criado para afastar a presidenta Dilma Rousseff do poder. Uma unidade construída por um bloco derrotado nas eleições de 2014, por um parlamento conservador e corrupto, por um judiciário conivente, por uma mídia insaciável de poder e riqueza, por uma classe média zumbi alienada que sonha em apertar a bochecha do Pateta em Orlando e pelo oportunismo do Vice Presidente da República.

O Golpe vem para acelerar o processo de retirada de direitos dos trabalhadores, enfraquecer as políticas sociais (saúde, educação, assistência social, previdência, de desenvolvimento agrário, entre outras) para oprimir mulheres, negros, lgttbs e outras maiorias ou minorias, para manter os esquemas de corrupção e o Status Quo estabelecido em nosso país.

Rasga-se o Pacto Social da Nova República.

É fato que esta ruptura se construiu na margem da fraca governabilidade parlamentar construída pelos governos petistas. A opção por governar com as velhas raposas, dando lhe poder e se envolvendo nos esquemas de sangria dos recursos do fundo público foi ao mesmo tempo a sua jogada e a sua derrocada. 

Para nós sobra lutar contra o Golpe e seus orquestradores, sem esquecer dos erros e desvios estabelecidos. 

Também é o momento de lutar pelos Direitos e pelas Políticas Sociais, sem esquecer de fazer a crítica radical ao Estado de Mal-Estar Social Brasileiro.

Tudo isto, criando e recriando caminhos que nos leve e nos construa para uma nova sociedade. Sem medo do novo, do confronto, da luta, das mudanças e transformações. Com solidariedade, Política com P Maiúsculo, Justiça com J Maiúsculo, com força e ternura!

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

ESCOLA LIVRE — NOVO PROJETO DE LEI

Uma escola para a democracia não é uma escola “sem partido”, mas com muitos partidos, com muitas ideias, com muito debate, com muita análise crítica do mundo. Uma escola para a democracia é uma escola sem preconceito, sem ódio, sem bullying, sem autoritarismo e sem discriminação. Uma escola para a democracia é uma escola laica e respeitosa de todas as crenças e da ausência delas. Uma escola para a democracia é uma escola que pratica a democracia no seu cotidiano.
Por tudo isso, apresentei hoje um projeto de lei (PL 6005/2016) que cria o programa “Escola livre” em todo o território nacional. Não deixem de ler e compartilhar a íntegra do projeto. CLIQUE AQUI!

Enquanto os fascistas, os macarthistas e os fundamentalistas religiosos falam em “Escola sem partido” e travam uma estúpida guerra contra uma inexistente “ideologia de gênero”, eu quero defender uma escola livre. Uma escola democrática, plural, inclusiva, aberta a todos os debates. Livre de censura. Livre de preconceitos e discursos de ódio. Livre de burrice e autoritarismo.
Livre para educar para a liberdade!

Fonte: http://jeanwyllys.com.br/

Lideranças do PSOL repudiam golpe e reivindicam novas eleições diretas

Após a votação no Senado que aprovou o impeachment de Dilma Rousseff, lideranças do PSOL demonstraram nas redes sociais a insatisfação com o golpe. Chico Alencar, vice-líder do PSOL na Câmara, se pronunciou logo após o resultado da votação. Ele definiu os apoiadores do impeachment como “moralistas de ocasião e sua postura hipócrita, de ‘ética’ meramente cosmética”. Confira aqui.
O deputado Jean Wyllys lembrou que o governo Temer representa um retrocesso para as minorias do país. “Venceram os canalhas, os falsos profetas, os ufanistas de araque, os que foram contra o Bolsa-Família, os que falam abertamente na restrição de direitos das mulheres e das pessoas LGBT, os que são contra cotas raciais mínimas.” Para Luiza Erundina, uma das razões do retrocesso do governo Temer é o pacote de medidas neoliberais que vem sendo adotado. “É apenas o início de um ciclo que nos exige resistência, força, luta constante”.
Wyllys, Marcelo Freixo e Glauber Braga afirmaram a necessidade de eleições serem convocadas para que, nas palavras de Braga, “seja devolvida a soberania ao povo através do instrumento que legitima decisões em uma Democracia”.
Freixo, em nota no Facebook, reafirmou a posição do PSOL enquanto oposição programática ao governo afastado. “Não fizemos parte do governo Dilma, defender a democracia não é defender governo”, diz Freixo. Ele lembra ainda que não foi comprovado nenhum crime de responsabilidade de Dilma Rousseff e o impeachment foi um pacto entre Cunha e Temer, com o apoio do Congresso, para deter a operação Lava Jato. O PSOL foi o único partido sem envolvidos no esquema. “Agora sim vão querer barrar a Lava Jato. Não podemos aceitar que um governo minado de corruptos notórios gere ainda mais impunidade”, ressaltou o deputado Ivan Valente. Para Valente, o impeachment é uma farsa constitucional que resultou em um golpe parlamentar.
A população também começa a articular manifestações contra Temer, com público esperado de mais de 10 mil pessoas. Compartilhe os eventos:
Brasília
Curitiba
Espírito Santo
Porto Alegre
Salvador
fonte: http://www.psol50.org.br/

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

ESTAMOS DE LUTO, MAS VAMOS TRANSFORMAR O SENTIMENTO EM LUTA

Por Luiza Erundina
O povo brasileiro está de luto pelo atentado à democracia e inominável injustiça contra a primeira mulher presidenta da República, Dilma Rousseff, eleita democraticamente pelo povo brasileiro nas eleições presidenciais de 2014. A história registrará essa farsa como um golpe contra a soberania popular. A história é implacável ao julgar conspiradores, golpistas e traidores do povo.
Neste 31 de agosto de 2016, o Brasil está diante de um golpe de Estado. Neste dia, 61 senadores votaram pelo afastamento da presidenta Dilma Rousseff, escolhida por 54 milhões de brasileiros, consolidando um processo articulado há meses, com facetas parlamentar, jurídica, midiática.
O país assistiu a um julgamento cuja sentença estava dada antes do seu início. A sessão deixou ainda mais clara a fragilidade das acusações, com evocações a Deus e ao “conjunto da obra” do governo Dilma. A defesa apresentou e repetiu exaustivamente explicações. Por mais críticas que a gestão de Dilma Rousseff merecesse, não vimos comprovação de crime de responsabilidade que justificasse o afastamento.
Fruto de chantagem do deputado afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, (PMDB-RJ) e acordos com setores conservadores, políticos preocupados com os avanços das investigações de corrupção, o processo de impeachment revelou o que há de pior na política brasileira. Ausência de preocupação com a democracia, apropriação da coisa pública em prol de interesses privados e desrespeito pelas instituições são alguns dos exemplos.
Os resultados já são sentidos desde que Michel Temer assumiu interinamente a presidência da República, há 110 dias. Temer nomeou um ministério completamente masculino, branco, com várias denúncias de corrupção. O SUS não tem a defesa do ministro da Saúde, que é ligado aos planos de saúde. O ministro da Justiça disse que precisamos de menos pesquisas em segurança pública e de mais equipamentos bélicos. Houve intervenção na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), desmonte do Ministério da Cultura, corte de verbas das universidades federais, descontinuidade do programa de erradicação do analfabetismo.
É apenas o início de um ciclo que nos exige resistência, força, resiliência. Um pacote neoliberal em benefício da elite política e econômica do país será colocado em prática. Os direitos de trabalhadores já estão sob risco. Mulheres, LGBTs, negros, indígenas estão sob ataques e assistem a tentativas de impor retrocessos em poucas conquistas alcançadas. A democracia precisa ser defendida com mais e mais afinco. Os golpistas não merecem trégua. Que o nosso luto se transforme em luta!
E, Dilma, nós, mulheres, somos solidárias a você, renovando nosso compromisso de luta pelos nossos direitos e pelo pleno exercício da cidadania política e pela democracia no Brasil.

Luiza Erundina
Deputada federal (PSOL-SP) e candidata à prefeitura de são Paulo
fonte: https://www.facebook.com/luizaerundina/

Declaração de Luciana Genro sobre o impeachment

Por Luciana Genro
Temer assumiu a presidência para aumentar o ajuste econômico contra o povo, a começar pelo aumento da idade para aposentadoria e a mudança na CLT para cortar direitos trabalhistas. Este é o objetivo das grandes corporações e dos banqueiros ao defender a posse de Temer. Sua posse é ilegítima porque sabemos que o povo não o elegeria. Se tivéssemos eleições gerais jamais este resultado existiria. Eu, que não votei em Temer nem para vice-presidente, é claro que não o aceito como presidente. Ainda mais quando sua presidência definitiva é produto de um golpe palaciano desferido no seu antigo aliado, o PT, que com ele compartilhou o poder por anos. Nossa luta em defesa dos direitos dos trabalhadores continua e faremos unidade de ação com todos que não aceitam o projeto ilegitimo do governo do PMDB.
fonte: https://lucianagenro.com.br/

sábado, 26 de janeiro de 2013

Diga não a PEC 33!

Uma sociedade deve se responsabilizar por suas crianças e idosos. No caso das crianças e adolescentes, é obrigação o cuidado e a garantia a brincadeira, ao lúdico e ao esporte. É um crime querer que ela trabalhe.
No caso dos jovens, é essencial prepará-los para o mundo adulto com educação de qualidade, direitos e liberdades.
A criminalização da infância e da juventude é um sinal claro de uma sociedade doente, que tem suas instituições doentes, incapaz de prepará-la para o mundo...
Perguntas, antes da redução da maioridade penal deveriam ser feitas: quais são as condições que crescem as nossas crianças, principalmente nas periferias e áreas mais pobres, qual a qualidade das nossas escolas públicas, quais perspectivas têm nossos jovens?
Assim o maior crime é querer afogar os sonhos de um jovem e de uma criança em uma cela!!


sábado, 19 de janeiro de 2013

Vitória da Ocupação Novo Pinheirinho e Samba do Peleja

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) que ocupou um prédio que está abandonado a mais de 10 anos em Taguatinga/DF, conseguiu uma vitória importante, derrubou a liminar que obrigava as famílias a deixarem  a área nesta próxima segunda-feira.

Para comemorar, hoje, as 17h00, o grupo Samba do Peleja, fará uma roda de samba no local da ocupação! O Samba do Peleja é uma roda de samba de amigos que sempre buscou unir poesia e luta social! 

Assim, neste sábado (19/01), o Peleja estará realizando um samba em apoio à luta dos trabalhadores do MTST por reforma urbana, unindo alegria e militância! 

Venha e chame sua família e amigos!

Reconhecido pelo Incra há sete anos, assentamento no interior de SP sofre ameaça de reintegração

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocupou na última terça-feira (15) a superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no centro da capital. A ocupação foi motivada pela ameaça de despejo do assentamento Milton Santos, em Americana. O desembargador federal Luiz Stefanini, em apoio aos antigos proprietários, a família Abdalla, decidiu pela desocupação e concedeu 15 dias de prazo para que as 69 famílias saiam das terras. O deputado federal Ivan Valente e o vereador Toninho Vespoli, do PSOL, estiveram no local na quarta-feira para prestar apoio ao movimento.
O Incra também foi intimado no dia 9 a fazer a remoção, sob pena de multa. O MST afirma que a desapropriação por interesse social pela presidente Dilma Rousseff é a única saída para o impasse. O Incra afirma que o terreno pertence à União, após ser dado ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) como parte de uma dívida de seus antigos proprietários na década de 1970.
A Usina Ester, que cerca o assentamento, e a família Abdalla conseguiram em 28 de novembro de 2012, na 2ª Vara da Justiça Federal, em Piracicaba, a decisão de desocupação. O Incra tenta, em parceria com o INSS, comprovar na Justiça que o domínio do imóvel jamais deixou de pertencer à União. Segundo a decisão do desembargador Stefanini, a partir do dia 24 de janeiro a ação de despejo pode ser executada com o uso da força policial.
O Sítio Boa Vista foi reconhecido como assentamento há sete anos pelo Incra. Os assentados venceram a luta para garantir acesso à água, saneamento, transporte e moradia, e transformaram o Milton Santos em modelo de produção sustentável – está em processo de reconhecimento pela Embrapa como Assentamento Modelo da Região por conta do plantio livre de agrotóxicos – e abastece cerca de 12.000 famílias da Região Metropolitana de Campinas, Americana e Limeira pelo Projeto Doação Simultânea.
Hoje o assentamento produz mais de 40 variedades de alimentos, que abastecem entidades assistenciais, creches, escolas públicas através da alimentação escolar, e exibe experiências como horta coletiva de produção agroecológica e quintais agroflorestais. Para a safra de 2012 e 2013 está prevista a entrega de mais de 250 toneladas de alimentos, que serão distribuídas a 13 entidades em 27 pontos de entrega. As famílias já têm acesso, inclusive, a programas de fomento à produção e moradia do próprio governo federal.
Desde a decisão da Justiça Federal os assentados seguem sofrendo ameaças de funcionários da Usina e têm sido observados continuamente por helicópteros da Polícia Militar.
Para o deputado Ivan Valente, “voltar às mãos de latifundiários e especuladores um assentamento consolidado e modelo como o Milton Santos é um retrocesso que não podemos permitir.” Para Valente, se a reintegração for executada, será uma senha para que agronegócio e grileiros avancem sobre assentamentos e acampamentos de sem-terra.
“O governo federal não pode vacilar. Tem que fazer a desapropriação imediata. Se depender da Justiça, já sabemos, é só olhar o exemplo do Pinheirinho, em São José dos Campos”, criticou o deputado.

Assentamento Milton Santos, ocupação do Incra-SP

Justiça, palavra de muitos significados, que por vezes ou na maioria das vezes acaba por aumentar a dor e o sofrimento daqueles que marcham contra um Estado Capitalista que só preza pelo bem-estar dos ricos e dos latifundiários... Assentamento Milton Santos, Americana-SP, uma história dolorida de resistência, ocupações, truculência da polícia, reintegrações, resistência... Está diante de um impasse de corrupção do papel do Estado e desta Justiça maldita e fiel a interesses escrupolosos, mas o Assentamento Milton Santos novamente resiste, insiste:


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O analfabetismo ainda persiste

O desastre do analfabetismo absoluto ou funcional continua marcando forte presença na realidade de nosso povo. Carrega consigo a marca da desigualdade regional e social do país e, infelizmente, a região nordeste possui os piores índices de analfabetismo. Muitos colocarão a responsabilidade deste fato nos costumes e tradições do povo nordestino, preferimos destacar que os problemas de analfabetismo, concentração de pobreza e dificuldades de enfrentar a estiagem são frutos do interesse político e econômico em manter esta situação.

G1: "O Nordeste concentra 52,7% do total de analfabetos do Brasil, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo realizado em 2011 aponta que 12,9 milhões de brasileiros com mais de 15 anos de idade não sabem ler nem escrever. Destes, 6,8 milhões estão na região Nordeste, que tem taxa de analfabetismo de 16,9%, quase o dobro da média nacional, de 8,6%" (leia mais)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

PSOL encontra esquerda anticapitalista grega


No dia 17 de dezembro, em São Paulo, aconteceu o encontro de delegações entre o PSOL e a Syriza- Esquerda radical grega, para discutir iniciativas e projetos comuns.  A reunião foi parte do esforço que Syriza faz de ampliar seu leque de relações internacionais, especialmente na América Latina, destino prioritário desta sua agenda. No Brasil, foram marcados encontros institucionais com Partidos, Movimentos, Centrais Sindicais, dentre esses o PSOL.

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Nossa delegação estava composta por membros da Direção Nacional do Partido, encabeçados por  Ivan Valente e Luciana Genro- além disso participaram Pedro Fuentes, Juliano Medeiros, Gilberto Maringoni e Thiago Aguiar.

A delegação de Syriza estava liderada por Alexis Tsipras, principal figura do Partido. Destaca-se, para além dos outros membros da delegação, composta ainda por deputados, jornalistas e dirigentes de Syriza, o Secretário de Relações Internacionais, Costantinos Ysichos.

A discussão foi marcada por uma fraterna troca de olhares sobre a realidade mundial e a crise do capitalismo. Os gregos demonstraram interesse na realidade brasileira.  O debate caminhou também para organizar eventos e campanhas de solidariedade com o povo grego e sua luta.
A luta de Syriza como força anticapitalista é uma luta estratégica. O PSOL é solidário a essa luta, e vai seguir desenvolvendo atividades – bem como a Fundação Lauro Campos -, que coloquem o internacionalismo como uma tarefa concreta e necessária para enfrentar a mais grave crise do capitalismo neste século.

Seguem abaixo os relatos da companheira Luciana Genro e do companheiro Juliano Medeiros, presentes na reunião:

“O Hotel Braston, em São Paulo, foi o cenário da reunião que tivemos com os líderes da Syriza, ontem. Alexis Tsipras, o principal porta voz da Coalizão da Esquerda Radical – que agora transformou-se em partido – eu já conhecia pois estive em Athenas logo após a primeira eleição deste ano, na qual a Syriza surpreendeu com uma grande votação que acabou forçando outra rodada eleitoral. Esta história todos conhecem. Agora o embate segue na Grécia, pois o governo vem tentando aplicar as medidas exigidas pela Troika, atacando cada vez mais os direitos sociais e o nível de vida do povo grego. Mas a resistência tem sido muito grande. Na reunião de ontem, Tsipras e outros líderes da Syriza nos contaram que a probabilidade do governo cair em breve não pode ser descartada, e que se isto ocorrer a Syriza terá ainda maiores chances de vitória em um novo embate eleitoral. A visita deles ao Brasil teve o objetivo de buscar apoio político e institucional para este embate, e para um futuro governo da Syriza.
Por sorte todos eles falam inglês, então pude me comunicar com maior facilidade, sem necessitar da intermediação de um tradutor. Fiz questão de dizer a eles que desde que retornei da Grécia me tornei uma grande propagandista da Syriza, pois o exemplo deles é uma inspiração para a esquerda em todo o mundo, e particularmente para nós do PSOL. Eles são a prova viva de que é possível travar uma disputa real pelo poder sem capitular e sem ceder às pressões da burguesia e do imperialismo. Também disse que estamos dispostos a fazer uma grande campanha de apoio à Syriza, pois a solidariedade internacional à luta dos trabalhadores é um dos pontos mais importantes do programa do PSOL.


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Eles fizeram muitas perguntas sobre o Brasil e nos convidaram para ir à Grécia novamente. Para o PSOL esta relação com a Syriza é fundamental. A postura combativa e irredutível frente ao governo, seja ele dos “socialistas” do PSOK ou da direita tradicional, é um modelo de construção partidária. A Syriza adquiriu a extraordinária força política que tem hoje porque se construiu nas grandes mobilizações contra o governo e aproveitou cada embate eleitoral para denunciar o governo, a Troika e suas medidas de ajuste contra o povo.”

“(…)A delegação do PSOL é pequena, formada por meia dúzia de dirigentes, entre eles, o Deputado Federal e Presidente Nacional do partido, Ivan Valente, e a Ex-Deputada Federal, Luciana Genro.

A delegação grega é composta de dirigentes partidários e lideranças parlamentares. Entre eles, o representante do Syriza no Parlamento Europeu, e claro, Alexis Tsipras. Seus trinta e quatro anos chamam a atenção entre os demais dirigentes (todos de cabelos brancos). Mas não só isso. Quando a reunião se instala, Alexis é o porta-voz do Syriza. Fala em grego dos problemas de seu país. Reafirma o caráter mundial da crise capitalista e destaca que a Grécia, tristemente, foi tão somente o país escolhido como laboratório das medidas de ajuste fiscal impostas pela Troika formada pelo Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e União Europeia. Explica que a solidariedade das esquerdas em todo o mundo não deve ser endereçada ao Syriza, mas ao povo grego que tem tomado as ruas e resistido às investidas contra seus direitos. Tsipras fala com segurança e serenidade. Qualidades indispensáveis para um líder que leva consigo a responsabilidade de defender uma saída alternativa àquelas sustentadas tanto pela direita clássica quanto pela socialdemocracia. Alexis, apesar da juventude, sabe que enfrentar a crise na Grécia não significa enfrentar apenas credores internacionais, os bancos ou os organismos multilaterais: enfrentar a crise e viabilizar uma saída que não se subordine aos ditames do capital financeiro, significa enfrentar o fundamento central de todo o sistema econômico que gerou a crise, afirmando, peremptório, que there is not alternative. Enfim, significa enfrentar o próprio capitalismo e seus ideólogos na Europa e em todo o mundo.

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A Grécia é cenário tanto das mais radicais medidas de destruição do Estado de bem-estar social, quanto da mais ferrenha resistência popular aos planos de ajuste fiscal. As consequências da crise alcançaram níveis dramáticos. A falência dos serviços de saúde fez ressurgir doenças extintas no país há décadas, como a malária. Num hospital público de Atenas, uma mãe que recém deu a luz é informada que só poderá levar consigo seu bebê caso pague a conta da maternidade. Do contrário, a criança ficará “retida” até que o débito seja quitado. Um aposentado se suicida na frente do parlamento grego com um tiro na cabeça, após gritar “Não queria deixar dívidas para meus filhos!”. Dramas como esses ocupam diariamente as páginas dos jornais gregos e demonstram a profundidade dos problemas enfrentados pelo país.

Curiosamente, esses problemas se agravaram desde que o governo grego assinou o primeiro memorando com os organismos da Troika visando “salvar” o país da crise. Entre as medidas tomadas pelo governo da Grécia como contrapartida aos empréstimos concedidos, estão a redução dos salários dos funcionários públicos, a limitação do valor do 13º (num valor máximo de 500 euros) inclusive para os aposentados, corte de 7% dos salários dos trabalhadores da iniciativa privada, aumento de impostos, alterações das leis laborais para facilitar as demissões e reduzir o pagamento de horas-extras, introdução de um mecanismo para aumentar a idade para a aposentadoria, privatizações generalizadas e redução dos municípios, de 1000 para apenas 400.

Uma das consequências dessa situação é o surgimento de centenas de sem-teto em Atenas. O que poderia parecer banal para um país pobre da América Latina chama a atenção mesmo para um dos países economicamente menos desenvolvidos da Europa Ocidental: mais de 11% dos sem-teto gregos têm um diploma universitário e 23,5% têm o secundário completo. Segundo informações de agências de notícias, são distribuídas 250 mil refeições em toda a Grécia semanalmente e nas escolas há alunos que desmaiam de fome. Essa é a realidade de um país que vê seu já frágil sistema de proteção social sendo pouco a pouco destruído.

Evidentemente, a resistência existe. As organizações populares estão mais fortes do que nunca e o crescimento da simpatia pelo Syriza, uma coalizão jovem como seu principal líder, mostra que a insatisfação começa a dar lugar a saídas políticas coletivas. Mas não é apenas a esquerda que se fortalece. Tsipras nos fala do perigo representado pela extrema-direita, organizada na Aurora Dourada de Nikoláos Michaloliákos. Seu semblante toma uma expressão grave. De força marginal, os fascistas passaram a ter influência no parlamento e até na composição do governo, um risco grave para um país que ainda guarda na memória os tempos da ocupação nazista.

Falando da Grécia, Alexis dá o tom da gravidade da situação. Mas ele também se interessa pela situação do Brasil. Alimenta muita simpatia pelo PSOL e por toda a solidariedade que temos expressado nos últimos anos, seja com a visita de militantes, seja com o envio de manifestações formais de apoio. Mesmo assim, a realidade brasileira ainda é complexa para os gregos. Conforme dissertamos sobre o caráter conservador da política econômica dos governos Lula e Dilma, sobretudo no tratamento dispensado ao problema da dívida pública, mais eles demonstram interesse em compreender a contradição entre essa política face às ações sociais dos governos petistas, tão badaladas na Europa. O programa Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida chamam a atenção e geram um rico debate. A coalizão que sustenta o governo Dilma e a recente condenação de dirigentes petistas de alta patente também são objeto de interesse das lideranças gregas. Alexis ouve com atenção, sabe que se chegar ao governo, terá de conhecer a realidade dos países emergentes, e sabe como poucos e da forma mais objetiva, o quanto política e economia estão vinculadas.

O encontro dura cerca de uma hora, embora pareça ter levado não mais que alguns poucos minutos. A troca de informações é profícua e só alimenta uma mútua disposição de aprofundar os laços entre PSOL e Syriza. Com certeza, Alexis e seus companheiros não encontrarão no Brasil organização mais parecida com eles próprios. Levarão daqui a certeza de ter encontrar muitos partidos dispostos a prestar solidariedade, mas poucos realmente identificados com saídas alternativas à perversa lógica do mercado. Com certeza, o Brasil não será o mesmo aos olhos do Syriza após este encontro.”

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Reforma da Previdência é nula




Sociedade se mobiliza para exigir o reconhecimento da nulidade do processo aprovado mediante a fraude do Mensalão

Nove anos após a aprovação da Reforma da Previdência, que alterou o regime de aposentadorias no Brasil, ficou comprovado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a ocorrência de fraude naquele processo. O julgamento do Mensalão confirmou o esquema de compra de votos pelo governo na época da emenda constitucional aprovada pelo Congresso Nacional. Esta prática torna, portanto, nulo aquele processo legislativo.

Por isso, a Auditoria Cidadã da Dívida (www.auditoriacidada.org.br) lança na próxima terça-feira, dia 18 de dezembro, a Campanha pelo Reconhecimento da Nulidade da Reforma da Previdência de 2003. Trata-se de uma ampla mobilização com o objetivo de alertar a população para a nulidade do processo, bem como reivindicar o restabelecimento dos direitos fraudulentamente retirados dos servidores públicos.

A campanha será iniciada com a elaboração de um abaixo-assinado aberto à participação de toda a população brasileira. A meta é coletar pelo menos 1 milhão de assinaturas. (clique aqui para baixar o formulário do abaixo-assinado)

A iniciativa também destacará o risco de deslocamento da crise internacional para o Brasil devido à transferência de papéis podres (derivativos) – os mesmos que provocaram a crise financeira nos Estados Unidos e na Europa – por meio da Funpresp (Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal), uma das nefastas criaturas da reforma previdenciária, conforme o artigo É nula a Reforma da Previdência de Lula, da coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli.

O lançamento acontecerá a partir das 15h no Salão Verde da Câmara dos Deputados e contará com a presença do coletivo da Auditoria Cidadã da Dívida, parlamentares e representantes da sociedade civil.

Na oportunidade, será divulgado o Caderno de Estudos “A Dívida Pública em Debate: saiba o que ela tem a ver com a sua vida” recém lançado pelo movimento.

Serviço:
O quê: Lançamento da Campanha pelo Reconhecimento da Nulidade da Reforma da Previdência de 2003
Quando: 18 de dezembro de 2012, às 15h
Onde: Salão Verde da Câmara dos Deputados (Brasília/DF)
(É obrigatório o uso de terno e gravata para homens)

Informações
AF2 Comunicação
Ana Flávia Flôres
Telefone: (61) 3326-0831
E-mail: aflores@af2comunicacao.com.br

domingo, 16 de dezembro de 2012

Documentário: O Riso dos Outros (Direção: Pedro Arantes)


Qual seria o limite do humor? Este documentário aborda o tema, entrevistando vários humoristas polêmicos, feministas, deputados etc.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Frente à crise capitalista e ambiental, afirmar a saída ecossocialista

Resoluçãodo 3º Congresso do PSOL

Militantes ecossocialistas, reunid@s em São Paulo , em 3 e 4 dedezembro de 2011, por ocasião do 3º Congresso do do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), reafirmaram e atualizaram a Carta de Curitiba, que estabeleceu o Setorial Ecossocialista do partido. E apresentam aqui sua reflexão sobre a atual crise, as políticas destrutivas aplicadas pelo governo brasileiro e as lutas necessárias para enfrentar a crise ambiental criada pelo capitalismo globalizado e estabelecer uma sociedade justa e sustentável, social e ambientalmente.

Estamos imersos em uma crise planetária, de proporções inéditas. Sua face mais visível, mas não única, é o aquecimento global, decorrente das emissões de gases do efeito estufa, que gera enormes mudanças climáticas. Não há um só dia em que não se observe a ocorrência de fenômenos climáticos extremos, gerando dezenas de milhões de refugiados ambientais no planeta. As Conferências do Clima no âmbito das Nações Unidas sucedem-se sem nenhum acordo para reduzir as emissões de carbono. Enquanto estamos reunidos nesse Congresso, o 17ª encontro da Conferência do Clima esta instalado em Durban, na África do Sul, sem perspectivas de apresentar soluções concretas para a maior ameaça ambiental da história humana. Ao contrário, premido por uma grave crise estrutural, manifesta depois de 2008 e agravada em 2011, o capitalismo descarrega os custos de seu enfrentamento sobre populações trabalhadoras e ecossistemas.

Esta é, assim, apenas a face mais visível de uma crise maior, decorrente da atual configuração do modo de produção capitalista, com seu modelo de desenvolvimento produtivista-consumista, baseado na matriz energética fóssil eu m modo de vida das elites econômicas baseado no consumo ostensivo e perdulário, na descartabilidade e na obsolescência planejadas, que são, a um só tempo e em todas as escalas, ambientalmente insustentáveis e socialmente injustos.

Outros sinais dessa crise são a escassez da água, onde uma em cada quatro pessoas no mundo de hoje não tem acesso a água potável; a redução da biodiversidade pela extinção das espécies, que é a mais elevada em 65 milhões de anos, já configurando uma sexta onda de extinção em massa na história da Terra; e a ruptura de vários ciclos vitais da biosfera planetária, que faz com que anualmente o impacto da atividade humana ultrapasse em 30% a capacidade de regeneração do conjunto dos ecossistema. Catástrofes ambientais ocorrem cotidianamente, dos deslizamentos na região serrana do Rio de Janeiro ao acidente nuclear de Fukushima, do “acidente” na plataforma da British Petroleum no Golfo do México ao “acidente” da Chevron na Bacia de Campos.

Em nosso país – cuja formação histórica, socioeconômica e cultural foi fundada na monocultura de exportação, na escravidão, na sistemática superexploração e genocídio dos povos indígenas e afrodescendentes e na rapina e devastação de nossa natureza – o Programa de Aceleração do Crescimento dos governos Lula e Dilma é a última faceta do“desenvolvimentismo”. E é este desenvolvimentismo, com seus mega-emprendimentos predatórios, que alavanca hoje o capitalismo brasileiro.

Assim, os compromissos do governo com o agronegócio cobram seu preço na reforma regressiva do Código Florestal, que ampliará o desmatamento e a emissão de carbono. Apesar da objeção de boa parte da sociedade brasileira, avança a construção da usina de Belo Monte, penalizando populações tradicionais e ameaçando a sobrevivência dos povos indígenas da região. Como avançam as obras da Transposição do São Francisco, desviando a água do rio para os empreendimentos capitalistas da região. Hidrelétricas e obras como Santo Antonio, Jirau, TKCSA,CSU, Porto Sul, Pólo Naval, com seu repertório de agressões socioculturais, étnicas e ambientais; a manutenção da política de genocídio do povo Kayowá-Guarani pelo agronegócio em Mato Grosso do Sul; a degradação dos ecossistemas e dos cursos d’água pelo uso dos agrotóxicos; a manutenção do programa nuclear; a expansão da opção pelo transporte privado nas grandes cidades; a atuação predatória frente às jazidas do pré-sal; o ataque à legislação ambiental, configurada não só no Código Florestal mas também na flexibilização do licenciamento ambiental e no abandono de mecanismos de controle social sobre as politicas ambientais – além da agenda excludente das obras da Copa do Mundo e Olimpíadas –, tudo isso demonstra até onde o capital quer chegarem nosso país.

Vivemos, aqui como no resto do mundo, uma crise que é econômica, social, ambiental e civilizacional, uma crise que impõe uma disputa de natureza ideológica sobre o entendimento das suas causas e métodos de enfrentamento, que confronta, em matizes diferenciados, capitalistas “verdes” versus “ecossocialistas”. Estamos frente a uma disputa sobre projetos de sociedade e, portanto, de civilização.

A compreensão dos que se reivindicam herdeiros das utopias igualitárias, às quais se agrega em nossa época o ecologismo, é a de que, nas precisas palavras do Manifesto Ecossocialista Internacional, “o atual sistema capitalista não pode regular, muito menos superar, as crises que deflagrou. Ele não pode resolver a crise ecológica porque fazê-lo implica em colocar limites ao processo de acumulação – uma opção inaceitável para um sistema baseado na regra ‘cresça ou morra’”. Trata-se, assim, não só de uma crise ambiental e social, mas uma crise da própria civilização do capital, de sua lógica econômica, de seu modelo de desenvolvimento, de seu modo de vida e dos seus valores.

Denunciamos e combatemos as relações espúrias e corruptas dos agentes públicos com os grandes grupos financeiros, industriais, empreiteiros e do agronegócioque financiam suas campanhas eleitorais para depois cobrar o preço amargo da destruição e da inviabilização de todas as formas de vida.

Denunciamos os discursos e as práticas supostamente voltadas para a preservação de ecossistemas, mas cuja retórica esconde nefastos interesses pela exploração acelerada dos recursos naturais e a conseqüente desagregação dos diversos biomas e modos de vida humana a eles associados.

Denunciamos aqueles originários da esquerda que, entre a garantia dos direitos das classes trabalhadoras e a aliança com a burguesia internacional, optaram por esta última e se transformaram nos fiadores da desgraça e da destruição ambiental. A opção pelo crescimento econômico indiscriminado está diretamente ligada à adaptação da economia brasileira ao capitalismo global, que exige a reorientação de boa parte da economia para a exportação. A exportação de commodities é também exportação de água, energia e vida do nosso povo e dos nossos ecossistemas.

Só um partido que se reivindique da tradição anti-capitalista, mas que tenha rompido com as experiências autoritárias, burocráticas e predatórias do chamado “socialismo real” – um partido que dialogue e interaja com as comunidades tradicionais e os movimentos sociais, ecológicos e socioambientais– pode enfrentar esse processo de degradação e estabelecer as alianças táticas e estratégicas para a luta ecossocialista.

Assim, o PSOL e o conjunto dos seus militantes assumem os seguintes compromissos:

• Denúncia e combate permanente à tentativa de flexibilização da Política Ambiental, notadamente a revisão do Código Florestal, reforçando os atos já convocado pelos movimentos sociais para 10 de dezembro de 2011;

• Denúncia e combate permanente à construção da Usina de Belo Monte, reforçando os atos já convocados para 17 de dezembro de 2011;

• Luta pela redução drástica da emissão de gases do efeito estufa em escala mundial, a fim de retorna-los ao nível seguro de 350 partes por milhão de concentração de dióxido de carbono (CO2) e seus equivalentes. Defesa, no Brasil, do aprofundamento do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, estabelecendo metas de redução de 50% das emissões brasileiras em 10 anos.

• Acompanhamento, denúncia e resistência às arbitrariedades e desvios dos projetos, das obras e impactos do PAC, inclusive na preparação para os mega eventos da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, principalmente no que tange à degradação das condições de trabalho, os despejos e remoções forçadasde comunidades pobres, o estímulo à prostituição e tráfico de mulheres ecrianças, bem como à redução da biodiversidade;

• As comunidades atendidas e atingidas pelos grandes empreendimentos, obras de infra-estrutura, planos diretores urbanos, unidades de conservação, projetos de geração de energia (inclusive renovável) e projetos agroindustriais devem ter garantida sua participação qualificada, continuada e legitimada emtodas as suas fases, desde os diagnósticos até as medidas para tratamento dos impactos.

• Diversificação da matriz energética brasileira, bloqueando a instalaçãode usinas térmicas movidas a combustíveis fósseis, denunciando seus impactosnas escalas local a global e defendendo formas alternativas e renováveis degeração de energia, com o mínimo impacto ambiental e sob controle social (“energia certa, do jeito certo”). Apoio às políticas de eficácia energética e rediscussão da utilização da energia gerada, suas tarifas, concessões e prioridades (“energia para que e para quem?”).

•Ampla mobilização para enfrentar a questão nuclear e barrar o programa nuclear brasileiro através do parlamento e dos movimentos sociais! Pelo descomissionamento de Angra 1, 2 e 3! Pelo cancelamento de novos projetos de usinas nucleares e do uso militar de artefatos e reatores!

•Ampliação das áreas protegidas por unidades de conservação nos diversos ecossistemas brasileiros, com garantia da participação pública qualificada na gestão e integração aos modos de vida das comunidades locais.

• Por uma reforma agrária ecológica. Contra os Desertos Verdes e as monoculturas. Apoio à campanha de denúncia do uso dos agrotóxicos e dos organismos geneticamente modificados. Pelo fim imediato da isenção de impostos para substâncias agrotóxicas. Defesa da agroecologia familiar como alternativa para a produção de alimentos. Implantação do desmatamento negativo via recuperação de áreas desmatadas, com reflorestamento que respeite a biodiversidade original.

• Por uma reforma urbana inclusiva e ambientalmente responsável, com o fim da especulação imobiliária e da privatização dos espaços públicos. Adoção de um programa de cidades verdes, com geração local de energia, eficiência energética e arquitetônica, ampliação da cobertura vegetal, destinação para o uso cidadão dos espaços públicos, etc, via mecanismos de incentivo e proibições.

•Adoção de uma política de transporte e mobilidade que privilegie o transporte público e penalize o individual, incidindo especialmente sobre o mercado de carros de luxo e de alta cilindrada. Apoio irrestrito a movimentos contra a carestia dos transportes públicos (movimentos pelo passe livre e pela tarifa zero), além da luta por uma gestão mais transparente dos sistemas de transporte urbano, grande expansão das ciclovias, a integração entre os diversos modais e o fim da dependência do rodoviarismo.

• Ainda no âmbito das cidades, a destinação dos resíduos sólidos constituem um desafio inadiável. É preciso atacar os aspectos degradantes do sistema produtivo, tais como a irresponsabilidade das empresas com as embalagens de seus produtos e reciclagem de seus produtos. Por uma politica publica de reciclagem, de valorização e proteção aos profissionais da limpeza urbana e apoio e estimulo a formacao de associacoes de catadores de materiais reciclavel.

•As zonas costeiras devem ser geridas como bem público inalienável e como santuário da vida. Portanto, repudiamos toda e qualquer atividade que cause constrangimentos à pesca e à navegação artesanal; ao uso público das praias e demais bens naturais litorâneos; ou a ameaças aos patrimônios genéticos marinhos e estuarinos.

• Pelo reconhecimento e demarcação de territórios quilombolas, terras indígenas e reservas extrativistas! Contra o Racismo Ambiental!

•Vinte anos depois da Eco92 e após dez anos de governos desenvolvimentistas do PT, utilizaremos o momento da Rio+20, de 13 a 20 de junho de 2012, como uma oportunidade para questionarmos de forma sistemática os descaminhos sócio-ambientais do Brasil e do mundo e apresentarmos nossas alternativas. Dessa forma, impulsionaremos ativamente o evento paralelo ao oficial, a “Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça Social e Ambiental”, reforçando seu caráter de crítica do sistema capitalista e do modelo sócio-econômico vigente no Brasil.

•E participaremos ativamente do Fórum Social Temático “Crise capitalista, justiça social e ambiental”, programado para Porto Alegre, de 24 a 29 de janeiro de 2012. Estimularemos nossa militância nos movimentos sociais a dialogarem com os grupos temáticos formados para este Fórum e organizaremos, pela Fundação Lauro Campos, uma agenda de debate e intervenção nas lutas sócio-ambientais que nele se articularão, inclusive no caminho da Cúpula dos Povos da Rio+20.

Oque se coloca para a humanidade é o desafio da constituição dessa nova sociedade que possa vir a ser, a um só tempo, politicamente democrática, socialmente justa e igualitária, cultural e etnicamente diversa e ambientalmente sustentável. Assim, na esteira de Michael Löwy, pode-se atualizar a consigna de Rosa Luxemburgo para “Ecossocialismo ou Barbárie”!

Ivan Valente é eleito novo presidente nacional do PSOL



Escolha marcou o encerramento do 3o Congresso do Partido Socialismo e Liberdade, que aconteceu em São Paulo neste final de semana.

Os mais de 330 delegados do 3o Congresso Nacional do PSOL, reunidos em São Paulo neste final de semana, escolheram como novo presidente do Partido Socialismo e Liberdade o atual deputado federal Ivan Valente. Quatro chapas participaram da disputa. A chapa encabeçada por Ivan Valente foi a vencedora, com 42% dos votos.

O resultado da eleição para a nova direção nacional do PSOL é uma sinalização de que o partido deve se voltar para fora e de que o programa, que já vem diferenciando o PSOL nas grandes questões nacionais, conta com amplo apoio de seus filiados.

Para Ivan Valente, a escolha da nova direção acontece num momento importante, de preparação para a participação do PSOL nas eleições municipais de 2012. "O PSOL já disputa cidades importantes no país, com boas possibilidades eleitorais em capitais como Rio de Janeiro, Belém e Macapá. Vamos entrar no processo eleitoral para acumular forças e chegar inclusive a vitórias", afirmou.

O 3o Congresso Nacional do partido aprovou resolução defendendo a construção da Frente de Esquerda no processo eleitoral de 2012, em aliança com PSTU e PCB. Para além da Frente - já concretizada em disputas anteriores - outras alianças serão definidas caso a caso pelo Diretório Nacional do PSOL.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Florestas fora da Lei

O projeto de lei do código florestal, ora em tramitação no Senado, reduz drasticamente a proteção das áreas úmidas em geral e das florestas inundáveis em particular. Cerca de 20% do território brasileiro é coberto por áreas úmidas.

Florestas inundáveis representam uma grande parte das florestas do país. Estudos científicos recentes indicam que só nas várzeas e igapós da Amazônia elas ocupam áreas de cerca 400 000 km2.

Devido ao particular regime de chuvas e características de relevo de nosso país, os desníveis entre a época de cheia e de vazante da maioria dos igarapés e rios brasileiros é de vários metros, atingindo mais de dez na Amazônia. As áreas inundáveis ao longo dos rios, recobertas por florestas ou outros tipos de vegetação, chegam, em muitos casos, a cobrir centenas de quilômetros quadrados.

Estas áreas são protegidas pela legislação atual que as considera propriedade da União (Constituição Art 20 ) enquanto pertencem ao leito dos rios, entendidos ( há mais de cem anos ) como a calha compreendida entre as margens altas

Estas são definidas como a linha média das margens das vinte maiores cheias registradas (subtraidas as extremas).

Utiliza-se a cheia como referência básica uma vez que, tomando outra linha de referência - mais baixa - teríamos um leito do rio de margens variáveis ao longo do ano, o que atribuiria ao patrimônio da União um caráter flutuante!

O novo projeto de Código Florestal (PLC 30) redefine (Artigo 3º inc. IV) o leito do rio como sendo "a calha por onde correm regularmente as águas durante o ano".

Sendo que no Art 4 considera as Áreas de Proteção Permanente: "as faixas marginais de qualquer curso d'água natural, desde a borda da calha do leito regular"... definindo depois as suas larguras mínimas de acordo com esse leito. O que significa regular em uma hidrografia muito irregular como a nossa?

Se esta definição de leito do rio prevalecer não apenas o patrimônio da União ficará subtraido de centenas de milhares de km2 como também as Áreas de Proteção Permanente recuarão drasticamente. Ao imbroglio Constitucional deverão se acrescentar os danos ambientais decorrentes desta equivocada caracterização dos nossos rios e da consequente redução das áreas inundáveis atualmente protegidas.

As águas que na Amazônia podem alagar por 270 dias por ano extensas áreas de floresta, recuam na vazante para apenas 20% da área ocupada na cheia. Nestas épocas estocam grande quantidade de água que, na estiagem, contribui com mais de 30% da vazão dos principais rios.

Além de estocarem água, as áreas alagáveis atuam na sua limpeza, recarregam o lençol freático, regulam os ciclos biogeoquímicos e o clima local. O mesmo acontece com as savanas alagáveis no cerrado como, por exemplo, aquelas do Pantanal, as savanas dos rios Araguaia e Guaporé, e as savanas alagáveis de Roraima. Danos causados às florestas alagáveis e seus ambientes reduziriam dramaticamente a capacidade de estoque das águas com consequências gravíssimas para a vazão dos rios.

As florestas alagáveis são únicas no planeta uma vez que sua vegetação está adaptada às condições de inundação (períodos estes em que há uma pausa em sua capacidade de absorver carbono!) e abrigam uma singular variedade de espécies vegetais, estimada, só na Amazônia, em cerca de mil e quinhentas espécies. Por outro lado a vegetação destas florestas é também responsável pela manutenção e expansão da biodiversidade vegetal e animal, incluindo muitas espécies endêmicas. Estudos recentes sublinharam a grande importância dessas formações nos balanços de carbono regionais.

Deve-se por fim observar que as áreas alagáveis são habitadas, por vezes intensamente, por comunidades que vivem em palafitas ou em flutuantes e que obtêm seu sustento por meio de atividades econômicas adaptadas às áreas periodicamente alagadas. Estima-se que cerca de 60% da população rural da Amazônia está concentrada nas várzeas, áreas alagáveis de maior fertilidade. Estas populações desenvolvem atividades de agricultura familiar com propósitos econômicos e de subsistência: pesca, criação de animais e extração de produtos madeireiros e não madeireiros. Populações tradicionais e indígenas vivem também há centenas de anos no Pantanal do Mato Grosso, extraindo seu sustento de atividades similares.

As comunidades que habitam as áreas alagáveis vivem em terras da União, muitas vezes concedidas a eles em comodato pelo Governo. A elas deveria ser garantido o direito de uso desses ambientes, assegurando também sua integridade ecológica e múltiplas funções. Somente dessa forma essas populações poderão continuar a exercer seu direito de plantar, pescar e colher para fins não apenas de sustentação mas também de geração de renda. A modificação proposta na nova versão do código Florestal em tramitação colocará em risco esse direito, como também contribuirá para a degradação desses ambientes únicos do Brasil.

Cabe por fim mencionar que o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, o IPCC, prevê entre outras mudanças climáticas, mais chuvas nas épocas chuvosas e épocas secas mais pronunciadas para grandes partes do território nacional. Áreas úmidas bem conservadas atuam como esponjas na paisagem. Elas estocam a água na época chuvosa e a liberam na época seca.

Esta função é indispensável para reduzir os impactos negativos das mudanças climáticas tanto para a agricultura e o meio ambiente como para o abastecimento da população com água potável. Por isso, a proteção das áreas úmidas não é só uma questão ecológica, mas também uma questão nacional relevante para a economia e a sociedade. Trata-se de 20% do nosso território! Mais de um milhão de quilômetros quadrados, hoje, ainda, de propriedade da União.

Ennio Candotti é físico e diretor geral do Museu da Amazonia (Musa)

Maria Teresa Fernandez Piedade é membro do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazonia

Wolfgang Junk é membro do Instituto Nacional de Ciencia e Tecnologia em Áreas Umidas (INCT-INAU)

Fonte: Caros Amigos

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Ataque violento e covarde a mais uma mulher militante no DF!


*Por Mariana Resende

Sábado, dia 26/11/2011. Uma data queficará marcada na mente de muitos como um triste e revoltante episÓdio decerceio de liberdade de expressão e agressão gratuita a militantes políticos.

Sou Mariana Resende, militante doJuntos/DF, estudante, trabalhadora, mulher. Assim como outros camaradas, também me dirigi ao centro de Ceilândia neste último sábado a fim de informamos a toda a população o governo medíocre do Sr. Agnelo Queiroz, que também vem sendo investigado por casos de corrupção ainda quando comandava a pasta do Ministério dos Esportes, vem fazendo na capital do país.

Éramos cerca de 20 militantes quem, ainda quando iniciávamos a panfletiação pelo comercio daquela cidade, fomos cercados por quase 100 petistas, devidamente uniformizados. Já na primeira intervenção, observávamos perplexos, a duras e violentas intervenções daqueles que se diziam defensores dos trabalhadores. Assim como nos anos de chumbo, me via naqueles relatos históricos de quando os militantes eram duramente espancados e agredidos pela forças da repressão que, assim como os petistas do sábado, andavam uniformizados, como se fosse uma tropa, tropa esta disposta a tudo paranos tirar o sagrado direito de liberdade de expressão.

Poderia me contentar com os relatos fidedignos de outros companheiros, mas quero também manifestar minha indignação e revolta (mesmo julgando que estas duas palavras não tem a força de expressar o sentimento que este fato me despertou) sobre relatado acima. Fui igualmente agredida com socos e murros tanto no rosto quanto nos braços. Carrego, assim como milhares de outras mulheres que não se intimidam na luta por democracia e liberdade, as marcas de um governo que oprime e se utiliza de bandidos para calar a boca do povo, para agredir suas mulheres, indiscriminadamente! E aqui é necessário abrir uma grande aspas: era a única mulher ali presente e, sem omenor pudor, bandidos vermelhos me atacaram, covardemente, violentamente, tentando de todos os modos tirar-me o material que utilizamos para denunciar a podridão que se instalou na capital do Brasil.

Nos momentos longos que duraram esta repressão só passava pela minha cabeça, rememorando meus tempos de criança, a luta de meus pais na construção de um partido como PT. Naquele momento não conseguia acreditar que aquele mesmo partido, que tempos outros tinha sido motivo de orgulho, há anos se transformou muito mais que um partido da ordem, mas um partido que tem sua falange fascista, sua tropa disposta a qualquer coisa para a ‘proteção’ de seus bandidos corruptos. Minha atitude, logo após as agressões e repressões, foi de ligar para meu pai, ainda filiado a este covarde e traidor partido, que aquilo era o que ele estava protegendo: bandidos que agrediram sua filha, que agrediram militantes, que acobertavam corruptos e criminosos.

Ao continuarmos nossa caminhada para denunciar o governo corrupto de Agnelo, além das agressões verbais e corporais, vinha uma senhora atrás de mim me ameaçando: ”você está doida para apanhar né! Você vai levar uma surra aqui para aprende a ficar de boca calada”. Ao lado dela, outros, desta vez homens, com sangue no olho para que aquela ameaça dela se concretizasse. Tive de contar com a ajuda de outros companheiros para que pudesse sair em segurança daquele local.

Procurei a policia que em pequeno numero ali estava, para que pudessem prender o homem que havia me agredido. Estava ainda viva na minha memória a atitude covarde daquele bandido. Os policiais me diziam que nada podiam fazer porque a Policia Civil, em greve, não poderia estar ali para tomar as providencias daquele caso que se enquadra na Lei Maria da Penha. IMPUNIDADE, foi a única palavra que veio na minha cabeça. Tanto lemos e ouvimos relatos daqueles que passaram por situações piores que esta relatada, mas jamais eu havia sentido tamanha indignação frente a impunidade que iria proteger mais um homem covarde e bandido que agride mulheres.

Entretanto, ao contrário do que a atitude destes bandidos teve o intuito de nos causar, lhes aviso que não desistiremos. Não vamos nos calar jamais!! Esta repressão só faz aumentar em nós o sentimento de indignação e revolta. Vamos tomar as ruas e limpar essa podridão do DF! Não nos calaremos!

LUGAR DE CORRUPTO É NA CADEIA!!!

*Militante do Juntos/DF e estudante de Comunicação na UCB

Juventude Juntos!

http://juntos.org.br/