terça-feira, 10 de junho de 2008

PSOL entra com pedido de impeachment de Yeda Crusius

Correio do Brasil

A Executiva gaúcha do PSOL, após reunião realizada na véspera, em Porto Alegre, protocolou nesta terça-feira, na Assembléia legislativa do Estado, o pedido de impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB). Em meio a uma série de protestos contra um possível esquema de corrupção que vigora no governo tucano, a medida atinge o seu ponto máximo com a decisão do PSOL de tentar cassar o mandato da governadora.

A decisão foi comunicada pela deputada federal Luciana Genro (PSOL-RS) ao vice-governador gaúcho Paulo Feijó (DEM), adversário de Yeda. O partido propõe que sejam realizadas novas eleições, o que dependeria da renúncia de Feijó que, segundo observadores da cena política, estaria disposto a deixar o cargo.

- Já deixei claro que meu interesse não é atingir ou derrubar a governadora - disse Feijó.

Segundo Feijó, o empresário Lair Ferst, um dos suspeitos de desvio de dinheiro no esquema do Detran gaúcho, integrava do comitê de arrecadação de verbas para a campanha de Yeda, em 2006. Na sexta, o vice-governador havia adicionado mais lenha à fogueira política do RS ao divulgar uma gravação que derrubou o chefe da Casa Civil de Yeda, Cézar Busatto. Yeda e seus assessores negam que Ferst tenha captado recursos para a campanha.

Militantes da CUT participaram, na manhã desta terça-feira, de manifestação diante do Palácio Piratini, a sede do governo gaúcho. O movimento, iniciado na segunda, prega que a sociedade gaúcha deve se manifestar contra "um dos maiores escândalos já vividos no Estado". Na véspera, o petista Raul Pont também manifestou apoio à tese de impeachment da governadora tucana, prometendo pedir à CPI do Detran, que apura o caso, que mostre que ocorreu um "crime eleitoral" em 2006.

No sábado, a governadora assinou a exoneração de quatro assessores: Cézar Busatto, ex-chefe da Casa Civil, Delson Martini, ex-secretário-geral de Governo, Marcelo Cavalcante, ex-chefe do escritório do Estado em Brasília, e coronel Nilson Bueno ex-comandante-geral da Brigada Militar.

Segundo Yeda, a série de exonerações foi uma resposta à crise política agravada na semana passada com a divulgação de grampos telefônicos feitos pela Polícia Federal e de conversa mantida entre vice-governador e Busatto, que reconhece o uso de estatais no financiamento de campanhas eleitorais. Em gravação divulgada na semana passada, o ex-chefe da Casa Civil menciona o PP e o PMDB (os maiores partidos da base aliada de Yeda) como beneficiários da prática em órgãos estatais que comandam, o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) e o Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Programação Circuito MIS De Cinema - Junho 2008

CICLO: CINEMA E FILOSOFIAO Cinema de Píer Paolo Pasolini

Promoção do Curso Livre de Filosofia: “CORUJÃO”

SALÓ“Salò o le Centoventi Giornate di Sodom”

Dia: 06 / 06 / 08 (sexta-feira) - 19h – Debate após a Exibição

Direção: Pier Paolo Pasolini

Ano: 1975 (Itália/França)

Elenco: Paolo Bonacelli, Giorgio Cataldi, Umberto P. Quintavalle, Caterina Boratto.

Sinopse: Transpondo «Os 120 Dias de Sodoma», do Marquês de Sade, para os últimos dias da ditadura fascista italiana, «Salò» não podia deixar de ser um filme violento, atroz, repulsivo. Porque é do que trata Pasolini na sua obra final; o fascismo. Violento. Atroz. Repulsivo. O sexo é agora um castigo; uma introdução às torturas. Jovens de ambos os sexos na flor da idade são levados para uma mansão onde irão ocorrer as orgias, subordinadas a ciclos dantescos. Antinferno, Esperma, Merda, Sangue. O filme despertou ódios e perseguições, quiseram proibir exibições e até destruir negativos. Ainda hoje «Salò» está banido em alguns países.

108 min

MIL E UMA NOITESIl Fiore Delle Mille e Una Notte”

Dia: 07 / 06 / 08 (sábado) - 16h

- Debate após a Exibição

Direção: Pier Paolo Pasolini

Ano: 1974 (Itália/França)

Elenco: Ninetto Davoli, Franco Citti, Tessa Bouché, Ines Pellegrini, Franco Merli.

Sinopse: Baseado em contos eróticos antigos. A história principal é sobre um jovem que se apaixona pela escrava que o escolheu como mestre. Depois que os dois se separam, ele sai em uma viagem em busca da escrava. Nessa epopéia, ele encontra uma série de personagens que contam suas tragédias amorosas, incluindo um homem que foi capturado por uma mulher misteriosa no dia de seu casamento e, também, de um homem que faz de tudo para libertar uma mulher das mãos de um demônio.

131 min

Promoção: ZINE MOSH

BOTINADA – A origen do Punk no Brasil

Dia: 07 / 06 / 08 (sábado) - 19h30min - Debate após a Exibição

Direção: Gastão Moreira

Ano: 2006

Sinopse: “Botinada” narra as origens do Punk rock no Brasil, sua primeira fase (1976 – 1984) e o paradeiro de seus protagonistas. Foram quatro anos de pesquisa, setenta e sete pessoas entrevistadas, milhares de horas na ilha de edição, duzentas horas de vídeo e muitas imagens raras e inéditas compiladas pela primeira vez.

110 min

CICLO: E DEPOIS DA URSS”

Promoção: Cinematographo

“VIDEOGRAMS OF A REVOLUTIONS”

Dia: 13 / 06 / 08 (sexta-feira) - 19h

- Debate após a Exibição

Direção: Harun Farocki & Andrej Ujica
Ano: 1992 - (Romênia)

Sinopse: Por dez dias, em 1989, uma revolta na Romênia derrubou o governo e executou seu líder, Nicolai Ceaucescu. Os manifestantes ocuparam o canal de TV e fizeram transmissões ininterruptas por 120 horas. O filme é uma condensação das 125 horas de material em vídeo documentando a cronologia daqueles eventos.

107 min

“ADEUS LENIN” - Good Bye, Lenin!

Dia: 14 / 06 / 08 (sábado) - 16h

- Debate após a Exibição

Direção: Wolfgang Becker

Ano: 2003 – (Alemanha)

Elenco: Daniel Brühl, Christine Schorn, Michael Gwisdek, Burghart Klaußner.

Sinopse: A mãe de Alexander, fiel devota do socialismo na antiga Alemanha Oriental, tem um ataque cardíaco ao ver o filho em uma passeata contra o sistema vigente. Quando ela acorda do coma, após a queda do muro de Berlim, o médico aconselha a Alexander que ela evite emoções fortes, pois outro ataque tão cedo seria fatal. Com o peso na consciência pelo estado atual de sua mãe, Alex faz de tudo para que ela continue vivendo em uma ilusória Alemanha socialista, mudando embalagens de produtos industrializados e até mesmo inventando documentários televisivos para preencher as brechas do dia-a-dia do recente capitalismo no país.

121 minutos

“Carnificina Cineclube apresenta: Projeto GRINDHOUSE”

“A CASA DOS 1000 CORPOS - ”House of 1000 corpses”

Dia: 14 / 06 / 08 (sábado) - 19h

Direção: Rob Zombie

Ano: 2003 - (EUA)

Elenco:Sid Haig, Bill Moseley, Karen Black, Chris Hardwick , Walter Phelan.

Sinopse: Na década de 70, dois casais estão fazendo uma viagem em busca de diversão. Ao parar em uma loja de horrores na beira de uma estrada, eles conhecem a história do Dr. Satan (Walter Phelan), um famoso médico que matava suas vítimas aos poucos. Dr. Satan foi preso e enforcado, mas nunca encontraram seu corpo. Animados com a história, os jovens decidem visitar a árvore onde Dr. Satan foi enforcado para tentar descobrir onde está seu corpo atualmente.

88 min

“REJEITADOS PELO DIABO””Devil’s Rejects”

Direção: Rob Zombie

Ano: 2005(EUA)

Elenco: Sid Haig, Bill Moseley, Sheri Moon, William Forsythe, Ken Foree.

Sinopse: O roqueiro Rob Zombie escreve e dirige Rejeitados pelo Diabo, um faroeste mega-violento em ritmo de punk rock da telona. Emboscados em sua própria casa pelo xerife Wydell, a família Firefly revida o fogo, mas só Otis e sua irmã Baby conseguem escapar. Num motel de beira de estrada, os irmãos chamam seu velho parceiro Capitão Spaulding e chacinam quem lhes atrapalhar o caminho. A violência aumenta e Wydell decide cruzar a linha e fazer justiça com as próprias mãos, num dos mais depravados e aterrorizantes duelos da história do cinema.

109 min

CICLO: “BRASIL NAS TELAS”

GAIJIN Caminhos da liberdade

Dia: 20 / 06 / 08 (sexta-feira) - 19h – Debate após a Exibição

Direção: Tizuka Yamasaki

Ano: 1980

Elenco: Kyoko Tsukamoto, Antônio Fagundes, Jiro Kawarazaki, Keniti Kaneko.

Sinopse: Japão, 1908. Em virtude de haver muita miséria no país e poucas perspectivas de trabalho, um grupo de japoneses emigra para o Brasil, onde passa a trabalhar em uma fazenda cafeeira. Lá eles precisam se adaptar às novas condições de vida. Porém eles se deparam com um capataz que trata os colonos hostilmente, exigindo sempre que trabalhem até a exaustão. Além disso, são roubados pelos donos da fazenda, apenas sendo tratados com respeito por outros colonos.

104 min

GAIJIN – Ama-me como sou

Dia: 21 / 06 / 08 (sábado) - 16h - Debate após a Exibição

Direção: Tizuka Yamasaki

Ano: 2002

Elenco: Kyoko Tsukamoto, Tamlyn Tomita, Keniti Kaneko, Edna Furuiti.

Sinopse: Na zona industrial do Japão, YOKO, uma estudante brasileira, vive a angústia de uma jovem estrangeira segregada porque é diferente. Com isso, reporta-se aos relatos de sua bisavó, conscientizando-se da magnitude que foi a história de sua família como imigrante no Brasil. ”GAIJIN - Ama-me como sou” é a história de aproximação de quatro gerações de mulheres corajosas que avançam na vida enfrentando desafios, misturando as raças, apagando o medo de perder suas raízes culturais.

130 min

“Curta MIS”

POST MORTEN

Dia: 21 / 06 / 08 (sábado) - 19h30min - Debate após a Exibição

Direção: Caio Vergueiro & Lucas Silva

Ano: 2008

Sinopse: Uma pacata casa de subúrbio é subitamente invadida por mortos vivos violentos e famintos, após uma família liberar forças que não podem ser controladas. Primeiro curta metragem da dupla, com colaboração do Cineclube “Carnificina”, seguindo os passos e ensinamentos do mestre Peter Baiestorf e seu Manifesto “Canibal- Kanibaru Sinema”.

06 minutos

“DIVERSIDADE CULTURAL – outras linguagens, outros olhares”

Curadoria: Adriano Jesus Brenelli

“NOME DE FAMÍLIA” - “The Namesake”

Dia: 27 / 06 / 08 (sexta-feira) - 19h

- Debate após a Exibição

Direção: Mira Nair

Ano: 2006 - (India)

Elenco: Irfan Khan, Jagannath Guha, Ruma Guha Thakurta, Sandip Deb.

Sinopse: Baseado no livro de sucesso de Jhumpa Lahiri e levado às telas pela aclamada diretora indiana Mira Nair (“Casamento à Indiana”), esta vibrante celebração de amor, lealdade e valores familiares tocará seus sentidos e seu coração. Uma lenda inspiradora sobre os laços que unem todos nós, “Nome de Família” é uma saga inesquecível comovente e épica.

122 min

MAROCK

Dia: 28 / 06 / 08 (sábado) - 16h – Debate após a Exibição

Direção: Laila Marrakchi

Ano: 2005 (Marrocos / França)

Elenco: Morjana Alaoui , Matthieu Boujenah, Razika Simozrag, Fatym Layachi.

Sinopse: Retrato da juventude marroquina em todos os seus excessos: carros velozes, música, amizades, álcool e a angústia da chegada da idade adulta. Marock mostra um Marrocos desconhecido, à imagem de sua protagonista Rita (Morjana Alaoui), de 17 anos, que se rebela contra as tradições de sua cultura. Vivendo sua primeira história de amor, ela confronta-se com a família, em especial com o irmão mais velho, homem conservador, para quem o futuro significa um retorno aos valores ancestrais.

100 minutos

Ciclo Juventude e Homossexualidade

Organizado pelo Grupo E-jovem adolescentes gays, lésbicas e aliados

DELICADA ATRAÇÃO - (Beautiful Thin)

Dia: 28 / 06 / 08 (sábado) - 19h30min – Debate após a Exibição

Direção: Hettie MacDonald
Ano: 1996 – (Reino Unido)

Elenco: Glen Berry, Scott Neal, Linda Henry, Tameka Empson, Meera Syal.

Sinopse: No subúrbio londrino, Jamie e Ste são dois vizinhos e colegas de colégio. Ste mora com o irmão e o pai alcoólatra, que freqüentemente o espanca. Jamie mora com a mãe, que sensibilizada com os maus tratos ao vizinho, convida-o para ficar em sua casa, no quarto do filho. Mal sabe ela que daí vai surgir um caso de amor entre os dois garotos.

90 min

LOCAL

Museu da Imagem e do Som – Campinas

Palácio dos Azulejos

Rua: Regente Feijó, 859

Programação sujeita a alterações

Entrada Franca (40 lugares)

Apoio 100% Vídeo

CICLO DE CINEMA SOBRE AS MÚSICAS FRANCESAS HOJE

Museu da Imagem e do Som de Campinas

Sexta 13 e sábado 14

Sexta 13

Uma Vida de DJ Bob Sinclair – 16h00

Une Vie de DJ Bob Sinclair (França, 2003).

De Sophie Blandilière. Cores. Duração 26’.

O DJ Sinclair e um dos DJs Franceses mais solicitados no mundo : a french touch.

Carla Bruni, Ela e Louis em Studio – 16h40

Carla Bruni, Elle et Louis en Studio (França, 2003).

De Serge Bergil. Cores. Duração 13’.

O desafio estava a altura de seu talento : uma ex-manequim que escreve e canta ! Sucesso imediato de seu primeiro álbum...

Jean-Louis Aubert, Comum Acordo – 17h00

Jean-Louis Aubert, Commun Accord (França, 2002).

De Laurent Brun. Cores. Duração 52’.

Após "Téléphone" onde ele escreveu a maior parte das canções, Jean-Louis Aubert, experimenta e mistura todos os estilos, do rock à balada.

Toda Essa História LOUISE ATTAQUE – 18h00

Toute Cette Histoire LOUISE ATTAQUE (França, 2001).

De Thierry Villeneuve. Cores. Duração 68’.

Nunca na França, um grupo de rock se impôs tão rapidamente longe das mídias e dos circuitos tradicionais (2 milhões de exemplares para o seu primeiro album éponyme).

A rima e a razão – 20h00

La rime et la raison (França, 1992).

De Francis Guibert. Cores. Duração 55’.

Francis Guibert nos faz descobrir as diferentes formas de expressão do movimento hip-hop francês: rap, raggamuffin, tag, graf, squat, etc.

Cheb Mami, A Criança – 21h00

Cheb mami, Le môme (França, 1996).

De Rabah Mezouane. Cores. Duração 52’.

A criança cresceu, o cheb envelheceu e o raï continua presente.

Sábado 14

Rapattack – 14h00

França, 2002).

Cores. Duração 90’.

Vinte anos de rap, em rajada, neste documentário organizado cronologicamente, criado pelo hip-hop para o hip-hop e para os que querem descobrí-lo ou saber mais.

Uma Vida do DJ Gregory – 15h30

Une Vie de DJ Gregory (França, 2003).

De Sophie Blandilière. Cores. Duração 26’.

O trabalho de Grégory Dorsa é inovador: É o que nos chamaremos mais tarde de "french touch".

Manu Chao, Gira Mundo Tour – 16h00

França, 2000).

De François Bergeron. Cores. Duração 52’.

Claro que já existia Mano Negra antes do sucesso fulminante de "Clandestino". Era 1998. E depois "Proxima Estacion : Esperanza". ... Me gusta...

Muvrini – 17h00

(França, 2002).

De Tony Gatlif. Cores. Duração 52’.

I Muvrini é um grupo polifônico Córsego criado ha mais de vinte anos por Jean- François e Alain Bernadini, em busca então de um outro canto para celebrar o sofrimento de sua terra.

M rima com que ? – 18h00

M À quoi ça rime (França, 2003).

De Serge Bergil. Cores. Duração 13’.

M como músico e mágico, M como "aime" (ama)...
Dois álbums: "Le Baptême" e "Je Dis Aime" e o reconhecimento como pela sua avó, Andrée, e seu pai, Louis Chedid.

Uma Visita à Ali Farka Touré – 18h30

Une Visite à Ali Farka Touré (França, 2000).

Cores. Duração 52’.

"O bluesman do deserto", como o apelidam no ocidenteidam no ocidente.

terça-feira, 3 de junho de 2008

O papel da televisão, por Patrício T. F.1

"O papel da televisão é ajudar a Coca-Cola [Company] a vender seu produto" "Existem muitas maneiras de se falar sobre televisão. Mas numa perspectiva'business', sejamos realistas: basicamente, o papel [métier] de nosso canal de televisão2,é de ajudar a Coca-Cola, por exemplo, a vender seu produto", estima Sr.Patrício.

"Ora, para que uma mensagem publicitária seja captada, é preciso que o cérebro do telespectador esteja disponível. Nossas emissões têm como vocação [missão]torná-lo disponível: quer dizer diverti-lo, relaxá-lo para prepará-lo entre duas mensagens [propagandas] . Aquilo que vendemos à Coca-Cola, é [parte do]tempo de cérebro humano disponível", prossegue o presidente do canal 1.

"Nada é mais difícil do que obter esta disponibilidade. É aí que se encontra a mudança permanente. É preciso buscar permanentemente [constantemente] programas que funcionem, seguir as modas, surfar sobre as tendências, num contexto em que a informação se acelera, se multiplica e se banaliza. A televisão é uma atividade sem memória. Se comparamos esta indústria à indústria de automóveis,por exemplo, para um construtor de automóveis, o processo de criação é bem mais lento; e se seu veículo é um sucesso, ele ao menos terá tempo de saborea-lo. Nós, nós nem temos tempo pra isso", constata Patrício T.F.

"Tudo passa pelos índices de audiência. Nós somos o único produto no mundo que 'conhece' seus clientes por segundo, depois de um prazo de vinte e quatro horas", goza enfim o presidente T.F. As declarações acima são de Patrick Le Lay, que era na época o presidente de TF1, o canal de televisão francês de maior audiência. Elas aparecem num livro desses de "management" cujo título é "Os dirigentes diante da mudança"3, publicado em maio de 2004 na França. Dentre os vinte "patrões" entrevistados tinham magnatas da telefonia (Michel Bon, ex-France Télécom), de banco (Michel Pébereau,BNP-Paribas) , de seguradora (Henri de Castries AXA). O prefácio é do presidente do Medef (Movimento das Empresas da França), na época, Ernest-Antoine Seillière.

1 nome fictício dado a Patrick LE LAY, presidente do canal francês TF1, privatizado em 1986.
As citações foram traduzidas tal e qual apareceram no artigo da AFP (AgenceFrance Press), do dia 9 de julho de 2004.Traduzido e adaptado por André HENRIQUES.

Terceirizados da Replan continuam em greve

Marcela Moreira

Na manhã desta terça-feira, dia 3, militantes do PSOL e a vereadora Marcela Moreira prestaram solidariedade aos trabalhadores terceirizados da Replan que estão em greve desde a semana passada. Mais de 500 trabalhadores participaram da assembléia realizada nesta manhã. As principais reivindicações são: aumento salarial de 10%; aumento do vale-alimentação e a garantia de que não haverá perdas salariais pelos dias em greve. “Viemos prestar solidariedade e apoiar a luta dos trabalhadores que fazem reivindicações legítimas”, afirmou a vereadora Marcela. De acordo com o dirigente do Sindicato da Construção Civil, Hamilton Mendes dos Santos, uma das empresas terceirizadas aceitou negociar. No entanto, outras ainda continuam dificultando as negociações. “Primeiramente, cortaram os ônibus dos terceirizados e uma das empresas passou com o ônibus às 2 da manhã em um alojamento em Nova Veneza para colocar os trabalhadores às 4 no serviço, como uma tentativa de boicote à greve”, declarou Hamilton. Esta greve acontece simultaneamente a São José dos Campos e continuará até que as reivindicações sejam atendidas. Na região de Campinas, são mais de 4.000 trabalhadores em greve.

Camila Marins

Celebração mundial do 80º aniversário do nascimento de Che

CEBRAPAZ
Desde a cidade de Rosário, Berço da Bandeira, símbolo dos argentinos, convocamos os trabalhadores e os estudantes, os intelectuais e os que lavram a terra, as mulheres e os homens, os jovens e os que conservam a juventude do coração, os povos de todos os continentes, a comemorar os oitenta anos do nascimento do Comandante Ernesto "Che" Guevara, exemplo de entrega em pós de uma vida digna para todos e para cada um de quem habita este planeta, ameaçado a cada vez mais por um império com ética de barro, moral de mercado e punho de ferro.

Convidamos a comemorar a chegada à vida de Ernesto Guevara na sua cidade natal. Sabemos que seu passo por Rosário foi fugaz, sabemos também que o jovem Guevara sempre se sentiu orgulhoso do seu lugar de origem, provavelmente porque sabia que esta cidade tinha sido uma das pioneiras do país e da nossa América Latina em sair às ruas - em 1º de maio de 1890- por ocasião da primeira celebração mundial do Dia Internacional dos Trabalhadores.

Esse dia, um verdadeiro capricho da história, os trabalhadores de Rosário se concentraram na esquina das ruas Entre Rios e Urquiza, no mesmo sítio onde 38 anos após nascera "o pequeno Ernesto".

Também sabia o jovem Ernesto que esta cidade e sua zona agrária, tinham-se constituído - no começo do século XX- no eixo das ações campesinas, cuja máxima expressão foi o "Grito de Alcorta", arquétipo da luta dos desapossados de terras. Anos após, nas ruas desta cidade, morreu assassinado Francisco Netri, fundador da "Federación Agraria Argentina", nas mãos de um mercenário dos terratenentes.

Quando Ernesto tinha 22 anos, os trabalhadores ferroviários dos galpões de Pérez, marcharam em massa até Rosário para se opor à participação argentina na guerra de Corea. A mobilização dos trabalhadores atingiu seu objetivo, nenhum soldado argentino marchou a engrossar as forças do imperialismo.

No ano 1969 o Comandante Guevara já não estava entre nós. Por então, a cidade do seu nascimento gestou dois enormes estalidos contra a ditadura governante. Sua figura esteve nas barricadas. O povo os chamou "Rosariazos" e ainda estão na memória coletiva como símbolo da dignidade popular.

Mais próximo no tempo, em 19 e 20 de dezembro de 2001, o «Che» saiu novamente com "seu" povo pelas ruas argentinas. Esteve junto aos que pronunciaram um não rotundo ao neoliberalismo, um verdadeiro ponto de inflexão que fez cambalear os planos das classes dominantes.

É, desde essa história, que convocamos a celebrar o nascimento de Ernesto Guevara.

"Tão irmãos nossos -dizia o «Che» na sua «Mensagem aos argentinos», pronunciado em 25 de Maio de 1962-, tão irmãos no nosso destino são os povos da América neste momento, como são os povos da Ásia ou da África, tão irmãos nos sentimos neste momento do povo da Venezuela, do Paraguai, do Peru ou da Argentina, quanto do povo da Argélia que obteve sua independência e dos povos de Vietnã e de Laos, que todos os dias perecem por obter a sua própria".

"Tudo é parte da mesma luta - continua o Comandante-, porque mesmo quando as ideologias mudarem, quando a gente se reconhecer comunista, socialista, peronista ou de qualquer outra ideologia política em determinado país, só cabem duas posições na história: ser a favor dos monopólios ou contra deles. E a todos os que são contra dos monopólios, pode-se aplicar um denominador comum. Nisso, os americanos têm razão.. Todos os que lutamos pela liberação dos nossos povos, o fazemos ao mesmo tempo, embora, às vezes, não o saibamos. E todos somos aliados, embora, às vezes, dividamos as nossas próprias forças em discussões internas, que fazem com que deixemos de unirmos para lutar contra o imperialismo. Mas, todos os que lutamos honestamente pela liberação das nossas respectivas pátrias, somos inimigos diretos do imperialismo, acrescenta o "Che".

Este é o espírito que nos une ao fazer esta convocatória internacional. O espírito da unidade na diversidade, a partir do reconhecimento do inimigo principal, já não só dos povos, senão - neste momento da "barbárie" do império - da natureza e da humanidade em todo seu conjunto.

Ao invitá-los à Argentina e, em particular, a Rosário, estamos conscientes dos novos ventos que correm pelo continente americano. À perversa onda neoliberal que agitou - e em muitos casos continua agitando - ao nosso continente, está se continuando uma maior onda dos povos em pós de uma sociedade mais justa, de uma distribuição eqüitativa das riquezas, do respeito às diversidades culturais, onde o homem não seja mais o lobo do homem.

Com clarividência, o Comandante Guevara antecipava na "Mensagem aos argentinos" o que hoje está acontecendo nas nossas terras: "São as novas condições da América, condições que têm ido amadurecendo através do tempo, que têm ido consolidando esta nova Era em que vivemos, este novo momento histórico do qual Cuba tem a gloria especial de ser o iniciador na América".

É por isso que esta celebração do seu nascimento, é também uma expressão de solidariedade com a Revolução Cubana que, com infinita dignidade, deu continuidade às lutas de independência encabeçadas por San Martín, Bolívar, Artigas, Martí e tantos outros heróis que ofereceram seu intelecto e suas vidas nesse combate que hoje reverdece em cada canto na nossa América Latina.

O "Che" disse também - naquele 25 de maio de 1962 - comparando o presente com os processos revolucionários do século XIX, "... a Revolução Cubana tem sido não o único grito, nem sequer o primeiro; houve, nesta época, gloriosas revoluções que tentaram dar o passo que hoje deu a Revolução Cubana, mas as condições ainda não eram boas e os governos surgidos dos movimentos populares foram derrubados. O caso mais avançado, mais patético - concluiu - é o da Guatemala de Arbenz, que foi destroçada pelos monopólios americanos".

No amanhecer deste século XXI, em alguns países começaram-se a conjugar as condições objetivas para iniciar as mudanças profundas, necessárias e urgentes, com saltos importantes na subjetividade das massas populares. É assim que hoje assistimos aos processos de emancipação de Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua e, em certa medida, Haiti, apesar da ocupação que padece. Também, a seu modo, destacam-se certas atitudes independentes dos países fundadores do MERCOSUL. Um dos momento culminantes desta nova situação foram os funerais do ALCA em Mar del Plata, em novembro de 2005.

Mesmo assim, o império sabe lamber suas feridas e regressar com mais força. Os Tratados de "Livre" Comércio e - mais recentemente - as negociações pelos bio-combustíveis são as novas armas com as que provocam e pretendem aprofundar a dependência e a divisão dos nossos povos.

É por tudo isso que nos apropriamos daquelas palavras pronunciadas por Fidel ao receber os restos do guerrilheiro heróico no mausoléu de Santa Clara: "o Che está livrando e ganhando mais batalhas do que nunca. Obrigado "Che", por tua história, tua vida e teu exemplo! Obrigado por vir reforçarmos nesta difícil luta que hoje estamos livrando para salvar as idéias pelas quais tanto você lutou, para salvar a Revolução, a pátria e as conquistas do socialismo, que é parte realizada dos grandes sonhos que você teve!"

Em 14 de junho de 2008, todas as mulheres e todos os homens do mundo que pugnam contra o imperialismo, estão convidados a vir a Rosário para participar de um multitudinário encontro destinado a celebrar os oitenta anos do nascimento do Comandante Ernesto "Che" Guevara.

Querido Comandante: nesse dia nos encontraremos no sítio onde você nasceu pela primeira vez, o mesmo que escolheram as trabalhadoras e os trabalhadores de Rosário para a celebração inaugural do Dia Internacional dos Trabalhadores, lá por 1890.

Querido Comandante, junto ao desejo de quem luta pela emancipação dos povos, sabemos que você continuará nascendo uma e todas as vezes que for necessário.

Até a vitória sempre!

Carta aberta dos haitianos ao Lula

Senhor Presidente,

O senhor terá notado que sua visita de hoje, 28 de maio de 2008, não recebeu as boas-vindas daquela de 2006 quando, acompanhado da “seleção”, enlouquecia a meio mundo, tratando de fazer-nos crêr que a lua é um queijo.

É que, na realidade, as máscaras caíram. Primeiro, pelo rotundo fracasso da MINUSTAH com respeito aos objetivos do próprio Conselho de Segurança da ONU em maio de 2004. Em seguida, porque já mais ninguém crê na “desinteresada ajuda” dessa missão. Nós entendemos de imediato os “subjacentes” desta “benevolência”. A vinda do filho do vice-presidente Alencar, proprietário da indústria têxtil mais importante do Brasil, a localizar as zonas francas e verificar com seus próprios olhos nossa famosa “mão de obra mais barata”, acabou de abrir-nos os olhos. Hoje, estão igualmente de visita uns capitalistas, seguramente ávidos eles também de apostar neste “ouro vivo”: vão se precisando os objetivos.

Mas há mais. O povo inteiro experimentou o comportamiento tanto dos altos responsáveis da missão, cobrando uma dinheirada - neste país tão desprovisto de tudo -, como o dos militares: a repressão nos bairros populares já não se demonstra, ao igual que a arrogância dos chefes em comando, ou a atitude dos soldados encaramujados em seus tanques, metralhadoras sempre apontadas à nossa frente, os quais, aproveitando-se da situação de dominação que instalam, cometem violações e outras exações que não têm nome… ou o terror semeado durante os últimos acontecimientos. O fundo e a forma já não deixam pois nenhuma dúvida: obviamente se trata de uma tutela armada, de uma ocupação, que a suposta “ajuda sul-sul” (que não é mais que uma solidaridade entre classes dominantes de país a país sob direção dos rapaces multinacionais) já não consegue enganar mais.

Como tudo isto foi tão longe? Como a revolução mais extraordinária do continente pôde dar à luz a tal profunda humilhação? Como governos resultantes das lutas dos trabalhadores e das mobilizações populares puderam chegar a jogar conscientemente o papel tão degradante de executor dos planos imperialistas? Tratamos de explicar-se-lo no texto adjunto “Todas as roupagens da mentira”, que diz, expõe a lógica de tal sentença, e os reais objetivos do projeto imperialista-burgués de exploração ilimitada. E o papel que ali lhe toca ao senhor. Rechaçando sua “ajuda” tal como a concebe e repudiando totalmente a presença de suas tropas armadas, termina preconizando que outra cooperação é possível “…que unificaría todos os operários, todos os trabalhadores e todos os povos, natural e fundamentalmente irmãos; na agricultura, na medicina, na construção de suas cidades, nos risos francos, nas danças e cantos então liberados, na produção coletiva e nos intercâmbios iguais.”.

Assim, senhor presidente, considerando que a presença das forças de ocupação da ONU no Haití constituem uma gigantesca bofetada no povo haitiano e em nossos ancestrais que lutaram para deixar-nos um território liberado de toda dominação extrangeira: em nome desta luta contra a dominação, em nome do direito à autodeterminação do povo haitiano, em nome do direito à vida de toda a gente caída sob as balas criminosas dos seus soldados nos bairros populares, mas também com o mesmo sentimento que o ajudou a declarar não grata a quarta frota estadunidense nos portos do seu país; e considerando a necessidade de establecer uma cooperação horizontal entre os povos do sul onde não existiria explotação, lhe requeremos, Sr. Presidente, proceder de imediato a retirada de suas tropas armadas de nosso país.

Yannick ETIENNE - Batay Ouvriye [Batalha Operária]
Camille CHALMERS - Plateforme Haïtienne pour un Droit Alternatif [Plataforma Haitiana por um Direito Alternativo]
Marc-Arthur FILS-AIMÉ - Institut Culturel Karl Lévêque [Instituto Cultural Karl Lévêque]
Guy NUMA - Mouvman Demokratik Popilè [Movimento Democrático Popular]

CPI das milícias: proposta ainda não saiu do papel

JB on line

RIO - Está engavetada na Mesa Diretora da Alerj, desde fevereiro de 2007, uma proposta formulada pelo deputado Marcelo Freixo (PSOL), de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para investigar a ação das milícias no estado. O pedido não foi nem mesmo publicado no Diário Oficial do Legislativo, o que é exigido pelo regimento interno da Alerj.

Marcelo Freixo afirmou nessa segunda-feira que vai voltar a propor a criação da comissão, para isso entrará em contato com o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB). - Talvez fosse possível evitar o que aconteceu com a equipe do jornal O DIA caso a CPI tivesse sido criada – lamentou Freixo. Jorge Picciani alegou não ter tido conhecimento antes desse pedido de CPI e por esse motivo não quis fazer comentários sobre o caso.

Como atualmente não há nenhuma CPI em funcionamento e, segundo o regimento interno da ALERJ, podem funcionar sete CPIs simultaneamente, não há impedimentos regimentais. A criação depende da Mesa Diretora.

Freixo também propõe que seja convocada, pela Comissão de Direitos Humanos da Alerj, uma audiência pública com o objetivo de discutir a ação das milícias. A proposta já tem o apoio do presidente da comissão, Alessandro Molon (PT), que tenciona discutir o assunto internamente antes de anunciar a audiência.

Para Marcelo Freixo, o governo estadual deve aceitar auxílio federal, pois o problema é por demais complexo para ser resolvido apenas com os recursos do estado. – Há muito envolvimento da estrutura da polícia, dos batalhões e implicações também no legislativo. A rede de corrupção é enorme e acaba engessando o estado – analisou.

O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) deverá levar hoje ao ministro da Justiça, Tarso Genro, uma proposta de criação de uma força-tarefa para dar combate às milícias no Rio de Janeiro, integrando ações nos níveis municipal, estadual e federal.

Entre os 70 deputados que compõem a Alerj, há certeza de um que já foi acusado de ligação com milícias. O deputado Natalino (DEM) é suspeito de comandar, juntamente com seu irmão, o vereador carioca Jerominho (PMDB) o grupo 'Liga da Justiça', de ações paramilitares, responsável por ações na zona oeste do Rio. Natalino não foi preso em virtude de sua condição de parlamentar.