segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Sem explosão social, não haverá saída para a sociedade’

Escrito por Gabriel Brito
10-Fev-2009

Por conta de uma manifestação popular que tomou proporções inesperadas, com confrontos entre moradores e policiais, a favela do Paraisópolis, uma das maiores do continente, encontra-se sitiada por uma imensa operação militar para controle dos distúrbios.

Para analisar a situação, o Correio da Cidadania conversou com o deputado estadual Carlos Gianazzi. Na visão do parlamentar do PSOL, o fato de todo o caos ter sido deflagrado a partir da morte de um jovem evidencia que há complexos ingredientes em meio a explicações simplificadoras, que atribuem tais revoltas à ação do crime organizado ou à mera iniqüidade popular.

Giannazi acusa o governo de não possuir uma real política de segurança pública, que se restringiria a ações imediatas, sem atacar os determinantes da miséria, razão maior dos distúrbios. A prática de uma política de ‘higienização’ da cidade, que consiste em desalojar parcelas carentes da população e despachá-las para a periferia, seria uma dessas ações.

Em tempos de crise, o deputado acredita que somente através de explosões sociais, mesmo que localizadas, o governo começará a atender às demandas da população, carente de infra-estrutura e renda em diversos locais da capital e do estado de São Paulo. "Caso contrário, ainda teremos muitos Paraisópolis pela frente, cada vez mais".


Correio da Cidadania: A presente operação policial, com centenas de viaturas e oficiais, na favela do Paraisópolis caracteriza que estado de coisas na cidade?

Carlos Giannazi: Primeiramente, acreditamos que o Estado deve garantir a segurança da população. Tenho acompanhado alguns trabalhos feitos na favela de Paraisópolis, inclusive de escolas da região, com professores, alunos, pais e, enfim, é uma região que possui uma intensa vida social, política e até econômica.

No entanto, foi muito estranho a dimensão do ocorrido. Em nossa opinião, em conversas com quem mora lá, foi algo muito pontual. Houve um enfrentamento de alguns grupos com a polícia e toda a polêmica foi causada em seguida. O que nos preocupa agora na intervenção da PM, de importante função na situação, é que a favela se encontra num estado de sítio. Inclusive, moradores inocentes têm sido prejudicados, sendo tratados como bandidos.

Defendemos que a PM trabalhe no combate ao crime, principalmente organizado e do narcotráfico, presente tanto lá como em outros lugares. No entanto, a polícia colocou um enorme aparato que serve apenas para impressionar a opinião pública e, em especial, os moradores do Morumbi, bairro que representa e abriga parte da elite da cidade, com grandes condomínios, mansões e muito luxo.

E há o lado curioso: grande parte da população da favela trabalha nesses condomínios, como empregados, porteiros e jardineiros, sem contar que na região também se localiza o palácio do governo.

Acreditamos que o governo fez uma intervenção dessa envergadura não tanto para combater o crime organizado, mas, sobretudo, para mostrar à opinião pública e imprensa que tem o controle da situação. Duvido que numa outra favela, na periferia distante, o governo teria o mesmo comportamento.

CC: Como avalia a política de segurança do governo, especialmente no que diz respeito à secretaria de segurança, representada por Ronaldo Marzagão?

CG: É um verdadeiro fracasso. Não há política de segurança pública no estado, o que ficou evidenciado na greve da Polícia Civil, que ficou mais de 60 dias paralisada, expondo para a opinião pública toda a falta de estrutura e o sucateamento da instituição, que trabalhava sob condições até desumanas.

A própria Polícia Civil mostrou à população que não há segurança pública. E foi tão grave que o próprio governador ordenou à PM, através da tropa de choque, que enfrentasse e espancasse os policiais civis que protestavam em frente ao Palácio dos Bandeirantes.

Portanto, estamos à deriva na área de segurança pública no estado de São Paulo, pois não se percebe a existência de tal política.

CC: A truculência estatal para lidar com a população excluída não pode ser benéfica para o próprio crime organizado, que pode canalizar para si a fúria popular local, aumentando sua influência e até credibilidade entre os moradores?

CG: Certamente. Essa truculência não leva a nada. Uma coisa é repressão ao crime organizado, ao narcotráfico, aos criminosos em geral. É importante e defendemos essa política, da ação preventiva, de repressão ao crime e, sobretudo, de ação da polícia científica, inteligente. Essa sim pode desmontar o crime organizado e efetuar a prevenção. Mas como isso praticamente não existe, podemos dizer que estamos mesmo à deriva.

CC: Paraisópolis, segunda maior favela paulistana, é uma das localidades que mais receberam projetos assistenciais, de diversas origens, nos últimos anos e mesmo assim pouco se viu mudar em sua cruenta realidade. O confronto dos moradores com a polícia após a morte do jovem, estopim de tudo, não escancara a ineficácia e esterilidade dessas políticas nas comunidades carentes?

CG: Sem dúvida. Até porque o trabalho assistencialista, apesar de seus méritos, não ataca as principais causas da violência na nossa sociedade, inclusive em Paraisópolis, que são a desigualdade social, a falta de mobilidade social, agora a crise econômica...

Em meio a tal situação, os programas assistenciais de ONGs, empresas e pessoas de boa vontade não dão conta, tamanha a desigualdade em nosso país, especialmente em Paraisópolis, que vive um grande paradoxo: de um lado a favela, com 80 mil habitantes; do outro, um dos bairros mais ricos da América latina, com moradores que detêm grande parte do PIB nacional.

Portanto, somente programas assistenciais não resolvem a situação. Precisamos realizar uma verdadeira reforma na sociedade brasileira, na economia e na distribuição de renda. Isso, sim, começaria a amenizar a questão da criminalidade e da degradação social. Se não se mexer nesse ponto, não se resolverá nada.

CC: Não se abre a necessidade ou oportunidade de a esquerda e movimentos sociais se aproximarem de tais comunidades e fazê-las despertar para uma luta social mais ampla e conscientizada? Existe este tipo de incursão, de forma efetiva, nessas áreas urbanas?

CG: Na verdade, já se faz um pouco disso. No PSOL, temos um trabalho, principalmente na periferia da cidade, com setores populares mais massacrados, no sentido de desenvolver uma consciência política e crítica, para que a população reaja. Porém, fazemos esse trabalho no sentido político, não no assistencial. Estamos realizando tal trabalho pelo desenvolvimento do senso crítico; não no sentido partidário, mas para que o morador de uma periferia entenda sua condição e se conscientize de que pode alterá-la através da mobilização social, do processo coletivo. Rompendo as estruturas, mas sempre coletivamente, pela organização e pressão sobre o Estado brasileiro.

Temos vários trabalhos nessas áreas, em parceria com os movimentos de moradia, de defesa da saúde pública, da educação gratuita, isto é, movimentos de conscientização através dos quais a população entra em contato com seus direitos constitucionais.

CC: Sabe-se que a favela fica em meio a bairros de alto padrão e que possui vias de acesso para lugares públicos de relevância na metrópole, como o estádio do Morumbi, local de difícil entrada e saída. Lembrando que há uma campanha pelo estádio do Morumbi como sede paulista da Copa de 2014 a todo vapor, estaríamos já diante de sorrateiros prenúncios dos recorrentes desalojamentos da população, para ‘limpar a área’ dessa comunidade e assim dar início às obras necessárias para o evento?

CG: Com certeza. O governo já tem como política a idéia de higienização da população pobre. O governo não ataca as causas da pobreza, ataca os pobres. Não ataca as causas da miséria, mas sim as vítimas dela. E afastar e esconder essas pessoas na periferia faz parte do processo. Essa tem sido uma tendência do governo Serra e do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. Sendo que a política de criminalização dos movimentos sociais e higienização da população é mais intensa na capital.

Eu não tenho dúvidas de que por trás dessa forte repressão - pelo menos aparente, com viaturas nas ruas, policiais aos montes - está também a Copa do Mundo, com a polícia controlando qualquer manifestação popular na região.

Só iremos resolver a questão da segurança pública investindo recursos do Estado no combate à desigualdade social, na distribuição da renda, na execução da reforma agrária. Caso contrário, ainda teremos muitos Paraisópolis pela frente, cada vez mais.

Em Americanópolis, já houve distúrbios neste último final de semana, uma região pobre que foi vítima do abandono do governo, cuja falta de infra-estrutura levou a uma justa revolta da população. Uma mulher morreu dentro de casa vítima de uma enchente, produto da leviandade e incompetência da atual prefeitura, que começou com uma obra na região, não terminou e permitiu que uma vida fosse ceifada pela cheia de um córrego.

CC: Sendo assim, podemos estar diante de um coquetel perigoso. Em tempos de crise e aumento do desemprego, excessivas repressões do governo poderão provocar verdadeiras explosões sociais, a seu ver?

CG: É, acho que a população terá que explodir mesmo. A única maneira de o governo e o poder público reagirem e canalizarem gastos públicos para demandas da população é através da explosão.

A sociedade terá de se mobilizar e se manifestar de diversas maneiras, de preferência pacificamente. Às vezes não é possível, pois ela é jogada nesse processo de violência e responde da mesma maneira.

Porém, se não houver explosão social, não haverá saída para a sociedade brasileira.

Gabriel Brito
jornalista

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Infernópolis: o pecado de ser pobre

Ricardo Alvarez
Ação da Polícia Militar de SP na segunda maior favela da cidade peca pela agressividade contra pobres e o direito de protestar, mistifica a origem dos confrontos e alimenta a idéia de "limpeza social".
Tudo começou com o atropelamento e morte de um garoto que teve duplo azar na vida: nasceu pobre e morreu nos primeiros anos de sua frutífera vida. Seguiu-se ao acidente uma manifestação dos moradores por equipamento público, para coibir novas mortes. Nada mais justo e compreensível.
Na manifestação ocorreram quebradeiras provocadas por garotos que não têm muito a perder, mas não contavam com o apoio dos manifestantes e da Associação de Moradores. Quando se vive no limite, relegado a uma mobilidade restrita numa metrópole repleta de possibilidades, sem a presença efetiva de equipamentos públicos de qualidade, assombrado pela violência, pelo desemprego, miséria, álcool e rendimentos risíveis, a fronteira entre o legal e o ilegal é muito tênue. Não se trata simplesmente de "desvio de caráter", ou de vandalismo inconsequente como parte da imprensa e a própria SSP fez crer. Mas o teatro estava apenas no começo.
Paraisópolis é uma grande mancha urbana de pequenos casebres, alta densidade demográfica e com indicadores sociais perversos: apenas 0,45% dos jovens entre 18 e 24 anos estão no ensino superior. Em 1991 o índice era de 1,19%. Apenas 20% do mesmo grupo social estão no ensino médio (Moema tem percentual de 84%) e a baixa escolaridade colabora no desemprego: 1 em cada 4 adultos está sem trabalho. A renda média entre seus moradores é de R$ 367,00 ao passo que na cidade de São Paulo o valor chega a R$ 1.325,00. A degradação persistente da qualidade de vida destas pessoas desceu em profundidade abissal.
Ao seu redor encontramos situação inversa: cercada de edifícios majestosos, casas de alto padrão, com imensos terrenos gramados e arborizados, seguranças particulares e abastecidos de total infra-estrutura. Seus vizinhos gastam mais dinheiro num ano em manutenção das piscinas do que o Estado em educação a estes deserdados urbanos.
Cito esta contradição explícita na paisagem da geografia local para reforçar a idéia de que o convívio permanente entre os socialmente desiguais é sempre explosivo, apesar da repetitiva ladainha que o problema reside na personalidade das pessoas, que a delinqüência vem de berço e a violência está no sangue de alguns. Tolos, não percebem que este mesmo discurso embala as políticas de segurança pública há décadas sem solução definitiva.
Também não façamos coro com a tese dos "dois Brasis", pois as relações entre estes dois mundos são próximas. Trabalhar com o doméstica nestas residências é uma das principais fontes de empregos para as mulheres de Paraisópolis e o assistencialismo corre solto e evidencia sua incapacidade em apontar saídas: Kaká doou bolas, ONG´s distribuem alimentos e roupas, a BOVESPA montou uma Biblioteca, Colégio de classe alta da redondeza oferece bolsas de estudos, enfim, ações apoiadas em responsabilidade social que não dão conta de suprir a irresponsabilidade social dos governos constituídos.
Quando carros foram atacados, pneus queimados e comércios destruídos, num ato espontâneo de revolta contra uma realidade insuportável, a resposta foi o show da operação policial. Estar rodeado de ricos e, principalmente, muito próximos do Palácio do Governo de São Paulo, habitado e dirigido pelo Sr. José Serra, foi outro baita azar.
Na ótica do governo, era preciso agir e rápido. Primeiro, a desculpa padrão: a culpa é da própria população que protege os traficantes que atacaram a Polícia. Segundo, uma movimentação policial exemplar: desfile de viaturas pela Marginal do Rio Pinheiros mostrando que o Governador não tergiversa, age. Terceiro, a grande mídia entra em cena: como sempre criando cenários que levam a conclusão imediata de que a ação se justifica, e mortos e feridos são inevitáveis.
O mais irônico é que ocupar casas sem mandato de segurança virou rotina, matar jovens suspeitos, uma necessidade e, aterrorizar a população local, um aviso. Minha suspeita é que por detrás deste modus operandi, que se diga não é uma exclusividade de São Paulo, existe uma política mal disfarçada de redução das pressões populacionais por emprego e serviços públicos, que acomete principalmente crianças e adolescentes pelo Brasil afora. São grupos de extermínio institucionalizados e que comumente recebem aplausos de telespectadores confortavelmente instalados diante de seus televisores, e crentes de que o melhor foi feito.
Poderia haver o caminho do diálogo, sem dúvida nenhuma, houvesse interesse do Gabinete do Governador. O Cel. Ailton Araújo Brandão, comandante da ação em Paraisópolis tem, inclusive, folha corrida a este respeito. Ele foi um dos participantes daquela malfadada reunião ocorrida com a cúpula da Polícia Militar de SP e o PCC, em 2006, quando era Comandante da PM na ponta oeste do estado de São Paulo, justamente onde estavam presos os membros da cúpula da organização. Um ano depois recebeu o título de cidadão prudentino, com direito a almoço e placa da honraria pelos serviços prestados.
O Cel. Brandão apontou seu dedo para as novas tecnologias como culpada pelo sumiço de gravações contra a PM pela morte de 104 pessoas nos confrontos com o PCC. O gravador do 190 falhou e o backup automático também falhou.
Mas ele foi condecorado pela Assembléia Legislativa de São Paulo em setembro de 2007 como Comandante do Policiamento da Capital da Polícia Militar do Estado de São Paulo, junto com o Governador Serra. Recebeu importante medalha dos paulistanos, embora o povo de Paraisópolis possivelmente nem saiba que ela exista. Talvez por isso a raiva.
A PF também chegou ao referido Cel. através da Operação Santa Tereza. Em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo foi revelado um esquema de distribuição de ingressos para uma festa de peão no interior de São Paulo com artistas consagrados. O "mimo" era a contrapartida pelo oferecimento de segurança pública a um prostíbulo privado que lavava dinheiro do BNDES na capital. Vê-se, portanto, que o crime maior não está em Paraisópolis, mas em outros lugares e o Cel. sabe quais são.
A ação da polícia é a síntese de uma imbricada teia de interesses que passa pela definição, a priori, de que pobre em favela é culpado antes de mais nada, de que é preciso fazer alguma coisa contra a criminalidade e é na favela que o tráfico manda. Humilhar pessoas, revistando-as, invadindo suas casas, num show travestido de caça aos traficantes explicita mais do que uma prática condenável, mas um tratamento de choque para um problema social.
A ocupação da favela de Paraisópolis na cidade de São Paulo, neste começo de fevereiro, é emblemática sobre o papel do tucanato diante dos problemas sociais no estado de São Paulo. Para fazer justiça, o Demo Kassab também foi condecorado na Assembléia Legislativa num ambiente agradável e de confraternização.
Pena que enquanto alguns desfrutam deste conto de fadas com dinheiro público outros vivem num inferno constante e são condenados ao castigo da morte lenta e silenciosa. Mesmo vivendo na "cidade do paraíso".
Ricardo Alvarez
Professor e editor do Blog Controvérsia
blog.controversia.com.br

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Plenária Frente Popular Contra o Aumento da Passagem

Convocatória da Plenária por uma:

FRENTE POPULAR CONTRA O AUMENTO DAS PASSAGENS!

Quando? DIA 10 de FEVEREIRO de 2009.

Que Hora? 18h30

Onde? Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região,

rua: Dr. Quirino 560 - Centro

7 motivos para ir nesta plenária:

1) Com o aumento das passagens, aumenta também o número de pessoas que optam pelo transporte individual, por ser mais confortável e economicamente melhor. Contribuindo para o aumento de emissão de CO2 e por conseqüência para intensificação da CRISE AMBIENTAL e o AQUECIMENTO GLOBAL.

2) Com o aumento das passagens, o DESEMPREGO e o SUBEMPREGO também aumenta e a carência do povo também.

3) Com o aumento das passagens, a CRISE ALIMENTAR cresce, pois sem dinheiro para se transportar, a saída encontrada pelos trabalhadores é reduzir a cesta básica e apertar o orçamento.

4) Com o aumento das passagens, cada centavo reajustado, aumenta proporcionalmente o NÚMERO DE TRABALHADORES QUE ACABAM INDO MORAR NAS RUAS.

5) Com o aumento das passagens, O ACESSO E A PRODUÇÃO DE CULTURA E ARTE são restringidos.

6) Com o aumento das passagens, A SAÚDE DO POVO PIORA MUITO! Acesso aos hospitais, pronto-socorros e centro de saúde passam a ser garantido apenas para os que podem pagar os abusivos preços das tarifas de ônibus.

7) Com o aumento das passagens, A EVASÃO ESCOLAR CRESCE! O CONHECIMENTO PASSA A SER LIMITADO AO IR À ESCOLA.

Toda forma de informação e produção de conhecimento ficam restringidos aos meios de (DES)infomação (TV`S, rádio e jornais).

Propomos: construir uma ampla frente popular de luta contra o aumento, para questionar a privatização desses direitos e lutar um novo modelo de transporte realmente público!

PELA REDUÇÃO IMEDIATA DAS TARIFAS!

PASSE-LIVRE JÁ!

ESTATIZAÇÃO DE TODO O TRASNPORTE COLETIVO, COM CONTROLE POPULAR!

REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO DOS MOTORISTAS COBRADORES, SEM REDUÇÃO DE SÁLARIOS!

Partido na rua: contra o aumento da passagem!

O PSOL/SP realizará na próxima segunda, 09/02, a partir das 11h30, uma agitação política no Vale do Anhangabaú contra o aumento das tarifas do metrô e trem. A passagem deve passar de 2,40 para 2,55.
Neste momento de crise que estamos vivendo, com alta das demissões, tal aumento onera ainda mais os trabalhadores/as. Só a mobilização pode conter tais ataques.
Fernando Gameiro
Secretaria de Organização PSOL/SP

Guarulhos: 2,50 não dá - Transporte Público Já!

Carta Convite aos Movimentos Populares, Sindicais, Estudantis e Classistas da Cidade de Guarulhos, sobre a mobilização pelo Transporte Público e em relação ao valor do mesmo.

Guarulhos não possui transporte PÚBLICO – partindo desta afirmação, propomos a mobilização de amplos setores de lutadores sociais, estudantis, populares e sindicais com o intuito de conscientizar a população da necessidade da construção de um poderoso movimento para se contrapor ao cartel do transporte em nossa cidade, o cartel GUARUPAS.

“R$2,50 não dá mesmo!”, foi nossa primeira palavra de ordem. Com as primeiras atividades, percebemos a disposição da população em encampar esta luta, com o avanço da crise internacional, a discussão sobre a estatização (municipalização) dos transportes, o passe livre, inicialmente para estudantes e desempregados, associado à gradual redução da tarifa até atingirmos a TARIFA ZERO, o PASSE LIVRE para Todos, acessibilidade para portadores de deficiência, idosos, obesos, grávidas, lactantes e pessoas com crianças de colo, pode e deve ser um canal para discutirmos com a classe trabalhadora a necessidade de mudanças radicais nas relações sociais como única maneira de superar as crises, superando o próprio capitalismo.

A crise ambiental que ameaça a existência da humanidade só poderá ser superada se desde já mudarmos as atitudes em relação, dentre outras coisas, às emissões de gazes do efeito estufa. Neste ponto a construção de um sistema de transportes efetivamente PÚBLICO, de qualidade e com tarifa zero será fundamental.

Algumas organizações e militantes tem se reunido e lutado para construir algumas propostas na efetivação deste movimento. Já foram organizadas panfletagens e debates, mas, a nosso ver, o grande passo nessa batalha pela construção do processo de conscientização, a partir de uma luta prática e direta, será a realização de um grande PLEBISCITO POPULAR para discutir com conteúdo nossas propostas para a população. Propomos como período ideal para este, o intervalo entre 1 de Março e 1 de Abril de 2009; durante este período, além da coleta de votos e assinaturas, panfletagens, manifestações de rua, debates, textos e cartas nos jornais, colagens, intensa divulgação no interior das organizações que compões este Comitê 2,50 não dá - Transporte Público Já! –, essa maratona de atividades deverá culminar em um grande ato na câmara municipal, onde com carro de som, entregaremos os resultados para a edilidade e para a imprensa. Ressaltamos que não temos nenhuma ilusão junto à vereança ou à prefeitura de Guarulhos, sabemos que só com a efetiva mobilização conseguiremos vitórias para nossa classe.

Atacar a Guarupass, denunciar este cartel é um compromisso fundamental para nós, passando do tradicional ataque ao poder público e atacando a corja que, privatizando o transporte que deveria ser público, priva a população do direito fundamental de ir e vir, fazendo com que, em Guarulhos, só tenha liberdade quem puder pagar por ela!

Até o momento, as discussões e propostas estão neste pé, aguardamos todos os lutadores, todos aqueles que não se rendem diante das adversidades e são solidários a esta luta que é de todos nós: trabalhadores e trabalhadoras.


A próxima reunião do Comitê será dia 14 de fevereiro de 2009, às 16:00



Local: SINPRO-Guarulhos (Sindicato dos Professores e Professoras) Rua Maria Lucinda N° 53 Vila Zanardi, Guarulhos – SP. (Prox. Ao Hotel Meliá Conffort).

Proposta de Pauta:

à Apresentação e História do Movimento.

à Debate sobre a situação do transporte público.

à Proposta do Plebiscito Popular em defesa do transporte público, pelo Passe Livre.

à Encaminhamentos e tarefas.

à Confraternização

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Algumas imagens do FSM 2009 Belém

Estou registrando uma pequena seleção de fotos minhas do FSM 2009.
Mais fotografias e uma pequena reflexão no meu blog: um relampiar de indignação

Frente de Esquerda na marcha de abertura do FSM

João Pedro Stedile (MST)
no 6 ° Aniversário do Jornal Brasil de Fato

Aleda Guevara no 6 ° Aniversário do Jornal Brasil de Fato

Representante do Equador no Debate sobre Auditoria
das Dividas na América Latina

Ivan Valente e Babá no Debate sobre Auditoria
das Dividas na América Latina


Movimentos cobram mais ação de Chavez, Evo, Lugo e Correa


Ivan Valente

BELÉM - Pela primeira vez na história do Fórum Social Mundial, o já tradicional diálogo dos movimentos sociais com chefes de estado, que nas edições anteriores de Porto Alegre e Caracas se resumiram ao presidente venezuelano Hugo Chávez, reuniu, nesta quinta (29), quatro mandatários - Hugo Chavez, Evo Morales, da Bolívia, Fernando Lugo, do Paraguai, e Rafael Correa, do Equador - no ginásio esportivo do campus da Universidade Estadual do Pará em um evento sobre integração popular na América Latina.
Coordenado pelo MST, o encontro não incluiu o presidente Lula porque, a princípio, o tema seria a Alternativa Bolivariana para as Américas (proposta alternativa de integração da região puxada pela Venezuela) da qual o Brasil não faz parte.

Primeiro a chegar ao evento, Correa, o menos envolvido historicamente com os movimentos sociais latinoamericanos, aproveitou o tempo de atraso de Chávez para dar provas de um talento artístico até então pouco conhecido. Todo sorrisos ao microfone, cantou acompanhado de músicos cubanos e levantou a platéia, numa demonstração de descontração neste meio não tão familiar.
Apesar da forte cordialidade que marcou o evento, os quatro mandatários também ouviram cobranças. De acordo com a economista equatoriana Magdalena Leon, coordenadora da Rede Latino-americana de Mulheres Transformando a Economia (Remte), é preciso avançar nas atuações conjuntas tanto entre os países quanto na relação dos governos com a sociedade. Para isso, é necessária avançar nas mudanças do modelo de desenvolvimento, posto em cheque pela crise, uma vez que a "situação é radical e exige ações radicais". Além da Alba e do Tratados de Cooperação dos Povos (TCPs, alternativos aos Tratados de Livre Comércio - TLCs), seria necessário construir outros princípios de relação entre governos e sociedade, uma vez que a crise gerou outro nível de demanda à integração alternativa.
Entre as prioridades de ação, Magdalena citou uma nova cúpula das Américas que consolide uma agenda própria da América Latina, uma nova arquitetura para a soberania econômica, energética, estrutural e política da região, e um novo protagonismo mundial diante de temas polêmicos, como as agressões israelenses na Palestina.
Focando seus discursos na crise e nas já logradas mudanças de prática política em seus respectivos Estados, os quatro mandatários buscaram reforçar ações que estriam nas agendas dos movimentos como forma de comprovar os esforços de diálogo e participação social. Primeiro a falar, Correa afirmou que a região se tornou uma "vítima de uma crise da qual não somos culpados, uma vez que é uma crise do capitalismo", e reforçou a idéia de construção de um novo "socialismo do século 21", baseado em ações coletivas para resolver problemas comuns. Do ponto de vista econômico, o presidente equatoriano defendeu um novo planejamento comum das sinergias, uma vez que até hoje o planejamento foi importo pelos países do Norte e pelas empresas transnacionais. "Não tem sentido discutirmos nossos problemas em Washington", afirmou, numa mensão à constituição da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).
Ainda sobre o novo modelo de socialismo necessário na América Latina, Correa destacou a necessidade de mudanças nas relações com o meio ambiente e a exploração dos recursos naturais, uma vez que o socialismo tradicional não questionou o capitalismo em seus fundamentos, mas buscou apenas incluir os excluídos num mundo de produção e consumo que hoje se mostra insustentável.
Mais próximo, historicamente, dos movimentos sociais, o paraguaio Fernando Lugo avaliou que a chegada dos quatro mandatários ao poder foi fruto de um longo processo de lutas e contruções dos movimentos sociais da região. "As mudanças não aconteceram de repente, foram fruto de um longo processo de debate nas ruas. Por isso os governos progressistas sabem que os movimentos sociais são a força que pode garantir uma mudança contínua", afirmou. Participante histórico do FSM, Lugo concluiu dizendo que a atual situação na América Latina é prova de que "outro mundo não só é possível, mas está se tornando real".

No mesmo tom, Evo Morales, o mais aplaudido pela militância, reconheceu a importância decisiva da ação dos movimentos sociais em sua eleição. "Se há quatro presidentes aqui é graças à luta de vocês. Não quero que me convidem, mas me convoquem para seguir na luta", afirmou. E adendou: "por favor não me abandonem, nem me esqueçam".
Último a usar a palavra, Chavez fez uma fala curta e bastante coloquial na qual lembrou Fidel Castro e o processo revolucionário de Cuba, mas aproveitou para reafirmar sua posição frente aos EUA. "Oxalá Obama marque uma mudança no espectro mundial, mas não vejo grandes câmbios, o império está intacto".
Para fechar o encontro, o dirigente do MST, João Pedro Stedile, principal articulador do encontro, fez uma curta análise das forças de mobilização dos movimentos sociais, que ainda estariam bastante desarticulados, mas cobrou mais ação de todos os atores. "A luta de classes depende da força que os movimentos conseguem aglutinar, não de discursos". Em seguida, ainda em tom de brincadeira, afirmou que os "governos [presentes] são muito frouxos". "Esperamos mais de vocês, queremos mudanças estruturais, não remédios para o capital. Nas próximas cúpulas regionais, convidem os movimentos de seus países", cobrou.
Stedile também cobrou uma unidade maior em torno de um programa mínimo para derrotar a crise, como o rompimento com a dependência externa e a nacionalização dios bancos, e uma moeda regional própria. "Temos muitas identidades políticas entre estes governos, mas respeitamos nossa independência. Cada um tem sua trincheira, mas temos que construir uma unidade popular contra o neoliberalismo", concluiu o dirigente do MST.

Publicado pela agência Carta Maior - 29/01/09