quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Marcha contra Corrupção em Brasília: mais de 20 mil nas ruas!


A população de Brasília foi as ruas mais uma vez neste feriado de 12 de outubro. Idosos, adultos, crianças, mas em sua maioria juventude, eramos mais de 20 mil pessoas lotando todas as faixas da Esplanada dos Ministérios.

A Marcha partiu do Museu da República, passou alguns minutos na Praça dos Três Poderes e finalizou retornando novamente ocupando as ruas em sentido a Rodoviária do Plano Piloto.

As fantasias, coreografias, músicas, palavra de órdens e muitas faixas simbolizavam a vontade dos marchantes de demonstrar sua indignação quanto o desvio de recursos e finalidade do Estado Brasileiro. Assim, 20 mil pessoas se colocaram a favor do fim do voto secreto no Congresso Nacional, pela Lei do Ficha Limpa, contra a imunidade parlamentar e a impunidade dada aos corruptos etc. Também estavam presentes a defesa do Santuário do Pagé, contra a especulação imobiliária perversa que covardemente tenta se impor a Justiça e a luta dos povos indígenas.

No ato foi feito o convite para a Manifestação Mundial do 15 de outubro. Os indignados presentes com faixas e palavras de órdens marcaram presença na luta contra corrupção. No dia 15, nos juntaremos a milhões do mundo todo para dizer Basta de Bancos, de Corrupção, de Miséria, de Desemprego, por mais verba para Educação, contra Belo Monte!

Fiz uma seleção de imagens que fotografei e publiquei no Picasa: Clique Aqui para Ver

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Brasília: II Marcha contra a Corrupção!


Nesta quarta-feira, 12 de outubro de 2011, mais uma vez a população de Brasília vai as ruas contra a corrupção! A Marcha saíra do Museu da República às 10 horas em direção a Praça dos Três Poderes!

Mais informações: http://www.movimentocontraacorrupcao.org.br/

Ou Fb: https://www.facebook.com/event.php?eid=249441681761599

Marcelo Freixo: mesmo ameaçado de morte, não recua de pré-candidatura para Prefeitura do Rio de Janeiro

O Globo

RIO - O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) disse nesta segunda-feira, em entrevista à rádio CBN, que não vai se intimidar diante das denúncias de que o ex-cabo da Polícia Militar, Carlos Ary Ribeiro, o Carlão, que fugiu do Batalhão Especial Prisional (BEP) em setembro, estaria articulando um plano para executá-lo . Marcelo Freixo afirmou que não recuará de seus planos de candidatura à Prefeitura do Rio.

- Acho que esse problema de subir em favelas não é só meu. Mas é um desafio. Já passei por isso na última campanha e tive que deixar de visitar comunidades dominadas por milicianos. Mas agora será diferente. Terei que ter um planejamento, mas vou enfrentar e fazer o que tem que ser feito. Temos que assumir essa fragilidade e enfrentá-la - declara Freixo.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também comentou nesta segunda-feira a ameaça do crime organizado a magistrados e a parlamentares, como o deputado Marcelo Freixo:

- Nossos efetivos da Polícia Federal não são suficientes para que se possa fazer toda uma cobertura em território nacional de autoridades estaduais.

Freixo disse ainda que reforçou sua segurança e que já entrou em contato com o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame.

- Recebi essa informação na sexta-feira do Serviço de Inteligência da PM. As ameaças aumentaram muito depois da morte da juíza Patrícia Acioli. Essa é uma informação que veio direto da PM, por isso tenho que levá-la a sério. Estou com a segurança reforçada e tomo as minhas precauções. Estou mudando a rotina, e o que nos resta é aumentar o cuidado - afirma o deputado.

De acordo com documento reservado da Coordenadoria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, Carlão, que é ligado a um grupo paramilitar de Campo Grande, na Zona Oeste, receberia R$ 400 mil para matar o parlamentar, que presidiu a CPI das Milícias. O ex-PM já teria feito levantamento da rotina do político, inclusive dos horários em que ele dispensa a segurança da Assembleia Legislativa do Rio.

Carlão é ligado a grupos paramilitares de Campo Grande, agora, chefiados pelo ex-PM Tony Ângelo de Aguiar. Segundo investigações da Coordenadoria de Inteligência, Tony seria o financiador do suposto plano de atentado ao parlamentar.

Carlão fugiu do BEP menos de 24 horas após a Polícia Civil e a Secretaria de Segurança desencadearem uma operação contra a milícia da Zona Oeste . Na ocasião, 19 pessoas foram presas. O nome de Carlão figurava entre os que tiveram mandados de prisão expedidos pela Justiça. No caso do ex-PM, a determinação era para que fosse transferido do BEP para Bangu 8. Carlão, entretanto, fugiu da unidade prisional da PM antes de a mudança ser concretizada.

RELEMBRE: Mesmo presos, chefes de milícias comandam quadrilhas na Zona Oeste do Rio, no estilo do tráfico

Na ocasião, o então corregedor da PM, Ronaldo Menezes, disse que o ex-cabo escapou de sua cela pelo buraco do ar-condicionado, mas não explicou como o aparelho foi recolocado no local. A versão acabou questionada por promotores da Auditoria de Justiça Militar. No BEP, o ex-PM tinha transformado sua cela em suíte, com direito a cama de casal, ar-condicionado, TV, videogame e frigobar. Quatro meses antes da fuga, policiais da corregedoria e promotores encontraram um celular e um notebook na cela do ex-PM.

Suspeita de favorecimento dentro de unidade prisional

Um levantamento da Promotoria da Auditoria Militar revela que as fugas de quatro ex-PMs - entre eles, Carlão -- presos no BEP aconteceram às vésperas de transferências deles para presídios comuns. Para a promotora Isabella Pena Lucas, isso evidencia a prática de favorecimento na unidade:

- Não estou falando de um caso isolado, mas de quatro fugas que aconteceram quando esses ex-PMs seriam transferidos para o sistema prisional - ressaltou Isabella.

Comissão indiciou 225 pessoas

A CPI das Milícias, presidida por Marcelo Freixo, indiciou 225 pessoas, entre elas políticos, policiais civis e militares, além de bombeiros. O trabalho da comissão trouxe à tona o domínio territorial de vários desses grupos paramilitares. Principalmente em Campo Grande, onde os irmãos Natalino e Jerônimo Guimarães, respectivamente, ex-deputado estadual e ex-vereador, chefiavam a maior milícia da região. As investigações da comissão, associadas a inquéritos da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), resultaram nas prisões dos políticos e de vários integrantes da milícia.

Apesar de enfraquecido, o grupo paramilitar de Campo Grande continua atuando. O ex-PM Tony Ângelo de Aguiar estaria por trás do crime que era planejado contra o parlamentar, atendendo a ordens de Natalino, Jerominho e Ricardo da Cruz Teixeira, o Batman. Todos condenados e presos em penitenciárias federais fora do estado.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/10/10/freixo-diz-que-nao-vai-recuar-de-candidatura-prefeitura-do-rio-diante-da-descoberta-de-plano-para-mata-lo-925543602.asp#ixzz1aQW7gGkD
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domingo, 9 de outubro de 2011

15 de outubro (15.O) – Porto Alegre: Ocupar a Praça da Matriz

Juntos!

Com o intuito de unir os indignados do mundo e exigir uma sociedade realmente democrática, os espanhóis da plataforma Democracia Real Ya estão convocando pessoas do mundo inteiro para participar do Dia Mundial de Acampamentos em Praças, que acontece no próximo dia 15 de Outubro. Em Porto Alegre e em várias outras cidades do Brasil, esse chamado foi atendido pelo movimento JUNTOS!, que em parceria com outras entidades, já está trabalhando na organização do acampamento.

Desde o começo desse ano, a partir das mobilizações populares que ainda estão em curso na Tunísia e no Egito, a revolta com o mundo em que vivemos se disseminou para outros países do globo. No mundo árabe, isso se expressou a partir da luta contra as ditaduras que oprimiam a população. Na Europa, ganhou cada vez mais força como resposta às políticas de retiradas de direitos da população e o alto índice de desemprego da juventude. Na América Latina, milhões de chilenos saíram às ruas em defesa de uma educação gratuita e de qualidade. No Brasil, cresce a indignação com a precarização da vida, a inflação, o endividamento das famílias e crescem também as lutas por educação, transporte e moradia. A “apatia” dos brasileiros está dando lugar a uma onda crescente de mobilizações. Começou em Jirau nas obras do PAC, passou pelos bombeiros do Rio, pelos atos do fora Ricardo Teixeira, chegando à ocupação de Reitorias de Universidades pelo país todo. Mais recentemente, acompanhamos a greve dos técnico-administrativos das Universidades Federais, dos Correios e, agora, dos bancários.
Democracia Real para acabar com os privilégios dos banqueiros e dos políticos, para acabar com a corrupção seja no futebol, seja na política. É preciso acabar com as desigualdades sociais, a miséria e o descaso com grande parte do povo. É necessário que se ampliem os meios de participação da população em todas as decisões fundamentais dos seus países.

Todas essas demandas, que extrapolam os limites das fronteiras de cada país, agora irão convergir em um só dia, em um só tema. Em homenagem à iniciativa dos espanhóis, que ocuparam a Praça Porta do Sol no dia 15 de maio desse ano, gritando a uma só voz “Não somos mercadoria nas mãos de políticos e banqueiros!”, o mundo agora se une para protagonizar um momento que certamente será histórico: ocupar as praças do mundo todo por DEMOCRACIA REAL JÁ!

No dia 15 de Outubro, a partir das 13h, todos que quiserem participar desse acampamento se encontrarão no Monumento Expedicionário, na Redenção. Depois seguiremos em caminhada até a Praça da Matriz, lugar onde será montado o acampamento dos indignados. Durante o dia, irá ocorrer uma intensa programação cultural, com oficinas, rodas de debate e pocket shows. No domingo pela manhã, o movimento voltará em passeata para a redenção, para encerrar o ato.

O Músico Tonho Crocco que há pouco tempo se indignou publicamente com o aumento do salário dos deputados do Rio Grande do Sul já confirmou presença no acampamento. Inclusive gravou um vídeo para a divulgação.

domingo, 22 de maio de 2011

Corrupção em Campinas

CONTRA A CORRUPÇÃO. TEMOS VERGONHA NA CARA E EXIGIMOS PUNIÇÃO E A DEVOLUÇÃO DO DINHEIRO ROUBADO!QUEREMOS JUSTIÇA!
MARCELA MOREIRA – ex-vereadora do PSOL
Sinto-me com a alma lavada. Será que a justiça será feita neste país? Será que ela chegou à Campinas?
Faz sete anos que denunciei a corrupção em Campinas, enquanto quase todos bajulavam essa prefeitura, seja para fazer parte da farra, seja para pegar as migalhas que caiam do banquete farto do desvio do dinheiro público. Eu não, estava lá, denuciando, nadando contra a corrente, protocolando denúncia junto ao MP, fazendo ato na frente da prefeitura, com poucos. Alguns me viam e diziam “deixa disso, não vai dar em nada”. É, deu, a casa caiu e, hoje, tenho uma das melhores notícias de minha vida: a Corregedoria da Polícia Civil e promotores públicos estaduais cercaram a prefeitura e querem prender integrantes de maior calibre e da mais alta esfera da “quadrilha” que tomou conta da prefeitura municipal de Campinas. É importante ressaltar que isso só foi possível devido à conivência de boa parte da Câmara Municipal que não cumpriu seu papel constitucional de fiscalizar para onde ia nosso dinheiro.
Faz sete anos que denuncio a venda da nossa cidade, escândalos no governo, venalidades da gestão fraudulenta, os desmandos, a apropriação privada do dinheiro público para interesses privados e o enriquecimento ilícito dessa “quadrilha”. Agora muitos vão se levantar para dizer que não faziam parte do “trato”, da corrupção passiva/ativa, nem que se beneficiaram com as migalhas de desvio de dinheiro público. Fiquemos atentos, pois quem faz parte dessa administração é conivente com o roubo, que, além de ilegal, é imoral, é um pecado e não é menos culpado quem é cúmplice no silêncio permissivo. O ditado popular bem diz que “quem cala, consente” – vamos lembrar quem são: PDT – PT – PMDB – DEM – PTB – PP – PPS – PR – PC do B – PSC – PMN – PRP - PV. O problema não está somente nos ladrões que roubam, mas também naqueles que dissimularam e consentiram com os roubos quando estes eram praticados, ou somente - e isso basta - por serem sabedores desses delitos depois de feitos e não terem denunciado. Lembre-se que não é apenas uma sopa de letrinhas, anotem essas siglas num papel bem grande e colem na geladeira, memorizem esses partidos que há muito nos roubam “na cara dura” e na próxima eleição vão aparecer nas nossas casas, em nossos trabalhos, em nossas escolas, faculdades, para pedir “nossa confiança. Pior, vão aparecer com campanhas caras, lindas, pagando cabo eleitoral, fazendo festas, churrascos, oferecendo cargos comissionados. E como pagam tudo isso? Certamente, com nosso dinheiro, nossos impostos, que deveriam ser destinados para garantir aumento de salário para os servidores públicos municipais, para abrir creche em período integral, garantir escola bem equipada, médico e toda a equipe de saúde da família no centro de saúde, cultura, arte, esporte, assistência social, transporte efetivamente público e de qualidade. Enfim, que vivêssemos com dignidade. Não estamos pedindo esmola, estamos reivindicando o que nos é de direito. O dinheiro vai para os cofres da prefeitura e agora ficou transparente para quais “cuecas” estavam indo. E a polícia ainda não chegou ao chefe da quadrilha, ainda falta pegar o Dr. Hélio. Achava-se “senhor de tudo”, ledo engano.
Se Toninho estivesse vivo estaria comemorando. Foi assassinado há quase 10 anos porque lutou para que nossa cidade fosse do povo e não dos “grandes”. Foi da época em que o PT significava partido dos trabalhadores e não o partido dos traidores e que há muito se lambuza na sujeira e não tem mais um mártir em suas fileiras, mas sim um foragido. Com todo respeito que tenho aos companheiros honestos e lutadores que permanecem no PT, não dá mais para alimentar ilusões. Repito, há cumplicidade no silêncio permissivo. Se eu estivesse no PT, teria mandato. Saí porque não me calei nem concordei com mensalões, nem que o PT se tornasse submisso, subserviente e participasse da quadrilha do governo do Dr. Hélio. Perdi o mandato, mas não minha dignidade, minha honra. Dormi e durmo tranqüila porque escolhi o POVO. E mais uma vez venho às ruas porque é aí que construímos a História.
Contato: bastadecorrupcaoemcampinas@gmail.com

quarta-feira, 28 de julho de 2010

MARCELA MOREIRA, EX- VEREADORA DE CAMPINAS É AGREDIDA DURANTE PALESTRA SOBRE O NOVO CODIGO FLORESTAL

NOTA DE SOLIDARIEDADE

Conforme divulgado pela imprensa, do estado de São Paulo, nacional é até mesmo internacional, a ex- vereadora da cidade de Campinas a jovem Marcela Moreira, uma das maiores lideranças do partido socialismo e liberdade (PSOL), participava pacificamente de uma manifestação, em uma palestra realizada pelo deputado federal Aldo Rebelo, sobre o novo código florestal, proposta essa que vem a favor da degradação ambiental.

Durante o protesto um membro do grupo ruralista que defende o projeto, partiu para cima da ex-vereadora, agredindo-a fisicamente e moralmente, infelizmente ainda somos obrigados a ver cenas como essas, de mulheres sendo agredidas fisicamente, por pessoas que não sabem o significado da palavra respeito, alias perguntar não ofende, alem da companheira Marcela outros ambientalistas participavam do protesto, por que essa figura não agrediu um homem do tamanho dele ???????

Por isso vimos atraves dessa nota, parabenizar, todos os participantes do protesto, manifestar nossa solidariedade aos companheiros agredidos, manifestar nosso repudio, a proposta do codigo florestal e a atitude e ao ataque feito contra os militantes…

CLIQUE AQUI E VEJA O MOMENTO QUE MARCELA É COVARDEMENTE AGREDIDA, FONTE EPTV CAMPINAS

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Os 80 anos de Plínio

Plínio de Arruda Sampaio completará 80 anos no próximo dia 26 de julho. Seus amigos e companheiros do PSOL preparam uma festa suprapartidária para o sábado, 24, em São Paulo. Os 80 anos deste intelectual da ação serão comemorados em meio a uma de suas mais duras batalhas. Plínio é candidato à presidência da República pelo PSOL. Pode-se concordar ou discordar das posições de Plínio. Mas não se pode ignorar a admirável trajetória desse comunista que acredita em Deus, como ele mesmo se define. O artigo é de Gilberto Maringoni.

Gilberto Maringoni

Plínio nasceu no exato dia em que assassinaram o presidente da Paraíba – assim eram chamados os governadores -, no processo que deflagrou o início da Revolução de 1930. Ao longo do tempo, sua vida política o aproximou dos ideais de outro 26 de julho. Esta é também a data em que um grupo de barbudos tentou tomar de assalto o quartel Moncada, em Santiago de Cuba, em 1953. O comandante da ação era um grandalhão falante, cujo nome ecoaria mundialmente pelas seis décadas seguintes, Fidel Castro Rúz.

Plínio tem uma aparência de senador romano de filmes da Metro. Testa alta, nariz proeminente e olhar seguro. A voz calma e límpida e os gestos firmes não são próprios de alguém de sua idade. Mesmo quando faz um discurso incisivo contra o agronegócio ou em defesa de uma ação mais radicalizada por parte dos setores populares, parece o mais moderado dos homens. No fundo, poderia ser definido como um radical tranqüilo. “Se não fizesse política, o câncer teria me levado”, ironizou ao se recuperar de um tumor no estômago, há quase dez anos.

Militante
“Ele é antes de tudo um militante”, sintetiza sua esposa, Marieta Ribeiro de Azevedo Sampaio, com quem está casado desde 1954, época em que se formou em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco. “Quando eu o conheci, dois anos antes, ele já era um militante e é isso até hoje”.

Ligado à Igreja, Plínio deu seus primeiros passos na política através da Juventude Universitária Católica, organização surgida a partir da Ação Católica Brasileira. Em 1959, foi nomeado subchefe da Casa Civil de Carvalho Pinto, governador do Estado. Ali coordenou o Plano de Ação, um amplo programa de planejamento e de intervenção integrada de todas as esferas do Estado no desenvolvimento. Ainda nos anos 1950, entrou para o Partido Democrata Cristão (PDC), que tinha em André Franco Montoro (1916-1999) um de seus principais líderes.

Refaçamos as contas: são 80 anos de vida e quase 60 de atividade política incessante. Plínio vem de uma família de produtores de café e fez uma trajetória raríssima. De posições inicialmente moderadas, ao longo dos anos ele percorreu um caminho que o leva cada vez mais à esquerda. “Eu vim da direita”, costuma brincar. É um exagero. Mas contam-se nos dedos os ativistas com origem familiar abastada que transitaram rumo à esquerda socialista. No Brasil, possivelmente o caso mais notável seja o de Caio Prado Jr., com quem Plínio conviveu. O ex-Secretário Geral do Partido Comunista Italiano (PCI), Enrico Berlinguer (1922-1984) é outro. Se formos aos mais notáveis, vale lembrar que Friedrich Engels (1820-1895) era filho de um industrial inglês e Fidel Castro tinha um pai latifundiário.

Eleito deputado federal em 1962, Plínio logo se tornaria relator do plano de reforma agrária do governo João Goulart (1962-1964). A antipatia dos setores mais conservadores da sociedade foi imediata.

Golpe e exílio
Não deu outra: quando foi deflagrado o golpe de 1964, Plínio estava na primeira lista de cassações, juntamente com Luiz Carlos Prestes, João Goulart, Leonel Brizola, Miguel Arraes, Darcy Ribeiro, Celso Furtado e dezenas de outros.

No exílio, ele trabalhou na FAO (órgão da ONU que trata das questões relativas à agricultura e à alimentação), em Santiago do Chile e, a partir de 1970, nos Estados Unidos. Assessorou programas de reforma agrária em quase duas dezenas de países da América Latina e da África.

O ex-deputado voltou ao Brasil antes da Anistia. Chegou em 1976 e tornou-se professor da Fundação Getulio Vargas, após ter concluído um mestrado em Economia Agrícola na Universidade Cornell.

Tomou parte nas intensas lutas sociais que marcaram o final da ditadura. Ingressou primeiro no Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e logo saiu para fundar o Partido dos Trabalhadores, em 1980, após as formidáveis greves do ABC paulista, lideradas por Luís Inácio Lula da Silva.

PT e Constituinte
Eleito deputado constituinte, em 1986, Plínio bateu-se por um projeto de reforma agrária que erradicasse o latifúndio. Com a paulatina destruição do texto constitucional, realizada por mais de 60 emendas, nos anos 1990, ele mostra um certo desencantamento com os rumos da Carta de 1988. Em palestra realizada há dois anos no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em Brasília, o ex-parlamentar foi ácido: “O breve resumo histórico das idas e vindas do processo de elaboração da Constituição Cidadã impõe a conclusão de que o texto promulgado em de 1988 foi fruto de uma ilusão. Baseava-se no falso pressuposto de que a nova ordem econômica e política neoliberal, então hegemônica em todo o mundo capitalista desenvolvido, ainda não havia fechado as portas para o prosseguimento de projetos de construção nacional nos países de sua periferia”.

Dirigente petista, membro da coordenação da campanha Lula à presidência em 1989, Plínio foi o principal formulador da política agrária do partido por muitos anos. Foi líder da agremiação na Câmara e candidato a governador pelo PT, em 1990. Tornou-se presidente da Associação Brasileira pela Reforma Agrária (ABRA) e um dos mais importantes colaboradores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Membro da corrente majoritária do PT, a Articulação, aos poucos ele se tornou um aliado da esquerda partidária.

Paulatinamente desencantado com os rumos do PT, após a eleição de Lula, em 2002, Plínio foi candidato à presidência da legenda em 2005. Sua maior contrariedade estava com a política econômica capitaneada por Antonio Palocci e Henrque Meirelles, o que entendia ser uma continuidade da orientação adotada durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

PSOL e candidatura

Em setembro daquele ano, juntamente com cerca de dois mil militantes de todo o país, ele deixa a legenda que ajudou a fundar e filia-se ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

A avaliação de Valter Pomar, membro do Diretório Nacional do PT, é dura sobre o episódio: “Foi um erro político imperdoável. Em 2005, a esquerda ganhou o primeiro turno na disputa pela presidência nacional do PT. Perdemos no segundo turno, entre outros motivos, porque ele e seu grupo saíram do partido".

Ivan Valente, deputado federal pelo PSOL-SP e ex-dirigente petista tem outra opinião: “A construção do PT representou um marco histórico de consciência e organização da classe trabalhadora brasileira. Mas é necessário reconhecer que o pragmatismo da chegada a todo custo ao poder desvirtuou seu programa, seus princípios e seus compromissos mais profundos com a transformação social”.

Em 2006, Plínio sai novamente candidato ao governo de São Paulo. “Tivemos quase 450 mil votos com um orçamento de cerca de R$ 20 mil reais. Os publicitários calculam, em campanha, que um voto custa, em média, de R$ 10 a R$ 15. Multiplicados pelo número de sufrágios, temos esses dispêndios milionários em campanhas. Pois gastamos cerca de R$ 0,04 por voto. Um fenômeno!”, diz ele.

Os 80 anos deste intelectual da ação serão comemorados em meio a uma de suas mais duras batalhas. Plínio é candidato à presidência da República pelo PSOL. Tem viajado incansavelmente. Sabe que o principal perigo para o Brasil e para o continente é a candidatura de José Serra, que reúne a maior parte da direita brasileira, de golpistas a neoliberais. Mas busca se diferenciar também da campanha de Dilma Rousseff, criticando especialmente a política monetária do Banco Central e a não efetivação da reforma agrária, no ritmo que julga necessário.

A festa dos 80 anos de Plínio será realizada no próximo sábado (24 de julho), num jantar-festa no restaurante Spasso Buffet & Music, a partir das 21h. O endereço é Avenida Rio Branco, 82, República (centro de São Paulo). Os convites custam R$ 20.

Sempre que perguntado quais os melhores anos de sua longa trajetória, Plínio repete um bordão:

“São aqueles que ainda vou viver”.

Para Ivan Valente, “Plínio é uma figura histórica da luta democrática, da resistência à ditadura e da construção de uma alternativa de esquerda para o nosso país. Sua trajetória é um exemplo para os que lutam por igualdade e justiça social”.

Pode-se concordar ou discordar das posições de Plínio. Mas não se pode ignorar a admirável trajetória desse comunista que acredita em Deus, como ele mesmo se define.