sexta-feira, 7 de março de 2008

Via Campesina ocupa Monsanto e destrói experimentos

As mulheres da Via Campesina ocuparam uma unidade de pesquisa biotecnológico da empresa americana Monsanto e destruíram um viveiro e o campo experimental de milho transgênico, em Santa Cruz das Palmeiras (na altura do km 229 da Anhanguera), no interior de São Paulo, na manhã desta sexta-feira (07/03).

A Via Campesina protesta contra a liberação de duas variedades de milho transgênico pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS). O governo Lula cedeu às pressões das empresas do agronegócio e liberou, em fevereiro, o plantio e comercialização das variedades Guardian (da linhagem MON810 da Monsanto) e a Libertlink (da alemã Bayer).

A liberação dessas variedades demonstra, mais uma vez, que o governo Lula fez uma opção política pelo agronegócio e pelas grandes empresas estrangeiras da agricultura, deixando de lado a Reforma Agrária e a agricultura familiar.

A manifestação faz parte da Jornada Nacional de Lutas da Via Campesina, que já mobilizou cinco estados contra o agronegócio. Em 2001, o Greenpeace já havia realizado um protesto nessa mesma área e encontrou plantio ilegal de milho geneticamente modificado.

A expansão dos transgênicos por todo o país tira o controle das sementes dos trabalhadores rurais, passa para as empresas transnacionais e pode inviabilizar a produção de alimentos orgânicos. Um relatório do Greenpeace apontou 39 casos de contaminação e cultivo ilegal de variedades geneticamente modificadas em 23 países. A maior parte deles envolve o cultivo de milho. Desde 2005, já foram identificados 216 eventos de contaminação em 57 países.

Também não existem estudos científicos que garantam que os alimentos transgênicos não têm efeitos negativos para a saúde humana e para a natureza. As dúvidas em relação aos alimentos modificados em laboratórios levam 81,9% do povo brasileiro a rejeitar o plantio de OGMs, de acordo com pesquisa realizada a pedido do Greenpeace.

Atualmente, quatro empresas transnacionais dominam quase todo o mercado de transgênicos no mundo e 49% de todo o mercado de sementes. A Monsanto, por exemplo, detém o controle de 70% da produção de sementes das variedades comerciais de milho no Brasil e agora pode substituí-las por transgênicos.

A Via Campesina denuncia que os transgênicos não são simplesmente organismos geneticamente modificados, mas produtos criados em laboratórios que colocam a agricultura nas mãos do mundo financeiro e industrial.

A sociedade não está mais diante da agricultura tradicional, mas de grupos que usam transgênicos para controlar as sementes e impor o uso de insumos e venenos que produzem, privatizando o papel de melhoramento das sementes e cultivo dos camponeses e indígenas.

A proposta das mulheres camponesas para o campo tem base na defesa da soberania alimentar, que prevê que cada país tenha condições de produzir seus alimentos, garantindo sua autonomia e criando condições para o combate à fome e ao desenvolvimento da agricultura.

Via Campesina

quarta-feira, 5 de março de 2008

Raul Reyes Viverá Sempre!

No dia 01 de Março passado, foi assassinado o comandante revolucionário colombiano das FARC-EP Raul Reyes e, juntamente com ele, outros 17 guerrilheiros foram também vitimas dos narco-fascistas que governam a Colômbia.

Tais mortes aconteceram após um intenso bombardeio no lado equatoriano da fronteira dos dois países e que atingiu o acampamento dos companheiros enquanto dormiam.

Após isso, o exército colombiano invadiu o território do Equador e assassinou covardemente com tiros nas costas e na cabeça os que ainda restavam vivos, retirando o corpo do comandante guerrilheiro e seus pertences para que não fossem resgatados pelas FARC.

As informações que chegam dizem que o governo narco-fascista de Álvaro Uribe Vélez, pretende sepultar o corpo do comandante Reyes em uma vala comum, para que desse modo não seja identificado o local onde estarão seus despojos.

Comportamento semelhante ocorreu no passado com o padre guerrilheiro da ELN Camilo Torres: até hoje não teve um enterro cristão, pois os sucessivos governos se negam a revelar onde seu corpo foi enterrado.

A despeito do tratamento que lhe está sendo dado por alguns veículos de comunicação brasileiros, Raul Reyes foi na verdade um dos mais destacados lutadores pela independência da América Latina. Um herói que entregou a vida pela transformação da realidade social na Colômbia e no mundo e que lutou obstinadamente pela construção de uma alternativa à barbárie capitalista.

A morte de Raul nos enche de dor e sofrimento, pois são cada vez mais raros homens com a sua têmpera de revolucionário cabal, com sua inteligência de operário brioso, com sua inesgotável capacidade de luta.

O governo narco-fascista colombiano ao transmitir a morte de Raul e de seus companheiros para a imprensa internacional o fez com o sorriso próprio das hienas. Festejou cinicamente a covardia de um ataque feito através dos bombardeios de super-tucanos, os quais atingiram os guerrilheiros dormindo. Um massacre onde não houve nenhuma chance de reação e que envolveu desde satélites espiões dos EUA até a tortura de camponeses para que a inteligência colombiana soubesse onde estava o acampamento guerrilheiro.

Raul morre como um dos grandes líderes de nossa história Latino Americana.

Apesar das intensas calúnias perpetradas pela imprensa vassala do imperialismo, sua imagem será cultuada como mais um dos grandes mártires da luta do povo latino americano; povo que trilha o caminho pela sua libertação do jugo da infâmia e da perversidade do imperialismo norte americano.

O comandante Raul estará sempre presente nas lutas do povo latino americano. As guerrilheiras e os guerrilheiros que tombaram serão sempre heróis de nossas nações destroçadas pela exploração do imperialismo. A paz que alcançaremos será construída com a dignidade da memória destes homens e mulheres, paradigmas da honra revolucionária.

Fazemos nossas as palavras dos 'partigianos' do mundo, que ao saudar seus mortos fazem a chamada de seus nomes, com a resposta em uníssono de todos os presentes, como a dizer que os mortos vivem nos corações e mentes de suas companheiras e companheiros, e seus sacrifícios não são em vão:

"Comandante Raul Reyes! Presente!"
Viva a Revolução Socialista!
Viva Raul Reyes mártir da Pátria Grande Latino Americana!
Viva às FARC-EP!


Edison Albertão
vereador pelo PSOL Guarulhos

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Ato contra a violência levanta a discussão sobre a homofobia


No último sábado, cerca de 100 pessoas participaram do ato contra a violência e o preconceito na rua 13 de maio em Campinas. Tratava-se de uma manifestação lúdica pelas travestis assassinadas na cidade. Todos estavam vestidos de preto, com alegorias de funeral, as travestis carregavam alvos em seus colos e a panfletagem -- ao longo da caminhada -- conscientizava as pessoas das causas de nossa luta e os riscos da homofobia.




Com o lema "hoje matam um homossexual, amanhã um negro, depois um nordestino, qualquer dia pode ser você", a discussão sobre a homofobia foi levantada à população. O ato fúnebre seguiu a 13 de maio em apitos longos e voltou no mais absoluto silêncio. Curiosidade, interesse e apoio das pessoas somaram-se à importância do evento.


A militância do PSOL estava presente no ato em apoio às causas GLTTB, afinal entendemos que companheiros são todos aqueles que se indignam com a injustiça e lutam por uma sociedade mais justa e sem preconceitos. Estas são algumas das características da nova sociedade pela qual lutamos, portanto estaremos sempre de pé, unindo forças para fortalecer a luta GLTTB.


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Venha conhecer o PSOL Campinas

Por Élcio Magalhães

Dias:
26 de fevereiro - 3ª feira - às 19h
01 de março - sábado - às 16h


Local:
Sede do PSOL
Rua Dr. Antonio Alvares Lobo, nº 558 (próximo ao Bar Furlan)

Convidamos todos para uma apresentação do PSOL - Partido Socialismo e Liberdade, uma nova opção na política brasileira e campineira. Já na sua primeira campanha com Heloísa Helena para presidente, o PSOL deixou claro que tem um projeto socialista e que está junto com a luta do povo. Além disso, vai contra o abandono da saúde, da educação e exige melhores condições de moradia e de emprego.

Precisamos da participação de todos para uma real transformação da nossa sociedade. Por isto, gostaríamos de convidá-los para esta oficina sobre a organização e como pode ser feito a construção coletiva, a necessidade de um partido que esteja enraizado na luta popular, etc.

Trabalharemos a partir de um documentário feito pela USP chamado "Espetáculo Democrático" que faz uma comparação da campanha do Lula para presidente em 1989 e em 2002.

A atividade é aberta, caso queira levar alguém, fique à vontade.

Abraços

Mas quem é o partido?
Bertold Brecht

Mas quem é
o partido?
Ele fica sentado
em uma casa com telefones?
Seus pensamentos
são secretos,
suas decisões
desconhecidas?
Quem é ele?

Nós somos ele.
Você, eu, vocês —
nós todos.
Ele veste sua roupa, camarada,
e pensa com a sua cabeça

Onde moro é a casa dele,
e quando você é atacado ele luta.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Como superar a lógica esquemática das esquerdas

Hamilton Octavio de Souza*
O governo Lula corrói a esquerda silenciosamente, por dentro, nas entranhas, como o câncer. É diferente do que acontece quando se tem a luta aberta contra a direita, quando é possível identificar mais claramente os inimigos. Dizer o óbvio, que a direita é mais truculenta do que a geléia geral do governo Lula, não contribui para definir a tática da esquerda. A geléia geral é sim menos truculenta, mas é mais danosa na medida em que age no interior das fileiras da esquerda, divide as forças, acomoda, corrompe, coopta, quebra a capacidade crítica e a combatividade. A direita no governo é mais dura nas bordoadas, mas causa menos danos à essência dos compromissos políticos e éticos da esquerda.

O raciocínio esquemático de setores da esquerda costuma enfatizar que fazer oposição ao governo Lula é apostar no pior, e que o pior só favorece os inimigos da esquerda. De acordo com esse raciocínio, é preferível engolir o governo Lula e a política hegemônica do PT do que entregar o governo para o PSDB-DEM e caterva. Se os inimigos verdadeiros são o capital, a burguesia e seus representantes, no momento atual a situação é altamente favorável aos inimigos, já que o modelo econômico mantido pelo governo Lula – e os grandes negócios do Estado com o empresariado – tem permitido a mais estupenda acumulação, total liberdade de atuação, entrega dos recursos naturais e do patrimônio nacional – praticamente sem restrições.

Nunca o capital viveu uma situação tão vantajosa nos mais de cem anos de República. Além disso, contribui para deixar o inimigo à vontade o fato real e concreto de que a força hegemônica nas esquerdas, o PT, consente com as políticas do governo Lula e não oferece nenhuma resistência à espoliação capitalista. O capital está nadando de braçada justamente porque a esquerda dividida fornece um ambiente de "tranqüilidade e paz" para o avanço do capital sobre as forças do trabalho.

O raciocínio político que precisa ser colocado na conjuntura não pode ser obviamente em cima das eventuais benesses – circunstanciais e passageiras – proporcionadas pelo atual governo. Mesmo porque não existe nada sob controle no jogo eleitoral. Essa visão é essencialmente fisiológica, na medida em que contempla vantagens e desvantagens da atual aliança com o capital, seja nas políticas assistencialistas, na suposta contenção da selvageria ou nas inúmeras sinecuras a setores da militância antes ignorados e excluídos. Não dá para confundir estratégia política com lealdade e gratidão.

O que precisa ser verificado realmente é a análise se tais ações de governo contribuem ou não para a organização e o acúmulo de forças no campo popular e das esquerdas. E está claro, até o presente momento, desde 1º de janeiro de 2003, que o governo do PT com as forças conservadoras e de direita tem contribuído muito mais para reorganizar esses setores dominantes, revitalizar antigas oligarquias, vitaminar os grupos empresariais – do que fortalecer o outro lado.

Pela lógica dos amigos e inimigos, podemos afirmar que o atual governo e suas políticas são inimigos do avanço das esquerdas e das verdadeiras transformações sociais. É claro que no balanço das relações clientelistas com a sociedade, o atual governo tem ampla vantagem em relação aos anteriores. Mas no processo de lutas de médio e longo prazo, o atual governo é mais corrosivo do que uma eventual articulação das esquerdas para o enfrentamento aberto contra as forças do capital.

A reunificação e o avanço das forças de esquerda, com o respaldo do movimento social popular, só pode acontecer no momento de convergência da análise centrada no combate às oligarquias, ao capital e ao imperialismo; na proposta de construção de uma nova sociedade sem oprimidos e sem explorados. Se o governo federal não soma nesse processo, não viabiliza avanços contra os verdadeiros inimigos do povo brasileiro, o terreno da luta e da aglutinação só são possíveis no campo da oposição. Fazer oposição ao governo, portanto, não é escolher o pior, é impedir que o pior continue inviabilizando a articulação de forças no campo das esquerdas, é estabelecer uma fronteira clara – para ser facilmente identificada pelo povo – entre aquilo que fortalece o modelo hegemônico do capital e o que constitui a alternativa nacional, popular e socialista.

Não dá mais para ficar jogando fumaça no quadro político. O caminho precisa ganhar nitidez.
*Hamilton Octavio de Souza é jornalista e professor da PUC-SP

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Ato contra a violência neste sábado, dia 23, em Campinas

Fórum LGTTB de Campinas organiza ato contra a violência

Os grupos voltados para os direitos de Lésbicas, Gays, Travestis, Transexuais e Bissexuais de Campinas (SP) realizarão um ato público no próximo sábado, dia 23, às 9h, em frente à Catedral Metropolitana, cruzamento da Rua Treze de Maio com a Avenida Francisco Glicério.

A motivação para o ato foi o assassinato de mais uma travesti na cidade. O crime contra Flavinha ocorreu no último dia 09. A comunidade LGTTB de Campinas se reunirá também em memória de tantas outras travestis assassinadas na cidade e no país.

Os organizadores do ato esperam sensibilizar autoridades e a sociedade para a violência que todos têm sofrido na cidade, em especial as populações mais discriminadas e vítimas de preconceitos, sejam eles raciais, religiosos ou de orientação sexual e identidade de gênero.

A atividade é aberta à participação de qualquer pessoa que queira lutar por uma Campinas menos violenta, mais justa e mais acolhedora de suas diferenças. Os interessados e interessadas devem comparecer no local vestindo roupas pretas.

Anote na Agenda:

O quê?
Ato contra a violência (organizado pelo Fórum de LGTTB de Campinas)

Onde?
Em frente à Catedral Metropolitana (Cruzamento da Av. Francisco
Glicério com a Rua 13 de maio - Centro)

Quando?
Dia 23 de fevereiro, sábado, às 09h.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Unidade na ação marcou o primeiro dia do I Encontro Municipal de Campinas

Cerca de duzentas pessoas, entre militantes e simpatizantes, estiveram presentes nos dois dias do evento


Abertura política
A abertura do Encontro aconteceu no sábado, dia 16, no plenário da Câmara Municipal. Cerca duzentas pessoas preencheram a platéia da Casa, faixas com as causas da nossa luta, bandeiras, barraquinha e a pluralidade das correntes do partido garantiram a dinâmica e a alegria do espaço.
Ao som da Internacional -- primeira vez que música é tocada na suposta "Casa do povo" --, os presentes demonstraram força e garra na construção do partido em Campinas junto com a base aliada.
A mesa foi composta pelos representantes aliados: Renato (PCB), Galvão (MTD) e Zé (MST); o PSTU mandou saudações e o apoio à luta em conjunto, pois estavam reunidos em outro evento; e o MTST enviou uma carta de agradecimento pelo convite e manifestou sua união de forças com o PSOL.
Do partido, estavam na mesa: Arley (Enlace), Raquel (SR), Mariana (Rosa), Cazuza (Gianazzi), os parlamentes Paulo Búfalo (APS), Marcela Moreira (coletivo) e, no final, Ivan Valente; e o presidente da mesa Rafael (GTM).
Todos tiveram voz e contribuíram para o debate da atuação dos partidos aliados e os movimentos populares na (re)construção da esquerda na cidade. Campinas é uma cidade que tem tradição na história da esquerda brasileira, depois da degeneração do PT, este Encontro com os aliados foi importantíssimo para o resgate das reais lutas e bandeiras da classe trabalhadora.
"Precisamos mostrar que não há diferença entre os dois campos da direita. O PT já mudou de lado e a direita já está lá faz tempo, todos trabalham em favor do capital e não da classe trabalhadora", afirmou o representante do PCB.

"Foi e é imprescindível a participação da militância do PSOL/Campinas no MST: eles estiveram presente em todas as nossas lutas na cidade. Vocês, militantes do PSOL, neste período eleitoral, têm a tarefa de politizar o debate contra a privatização, o FMI, a ALCA e resgatar a bandeira do socialismo para a população", representante do MST.

O parlamentar Paulo Búfalo ponderou e complementou sobre a situação do partido em Campinas "Nós somos poucos e poucas, mas temos orgulho de carregar a bandeira da classe trabalhadora".
Durante o evento, o deputado Ivan Valente compareceu para saudar a abertura do Encontro: "Estou satisfeito de ver a concentração da militância campineira neste Encontro, é sinal de que estamos no caminho certo para a construção do movimento de resistência", afirmou. Finalizando o evento, o deputado reafirmou o PSOL como opção para o fortalecimento da Frente de esquerda e a condução da nova alternativa socialista de luta para a sociedade. "O PSOL, atualmente, é qualidade e não quantidade", finalizou.
Empolgados para o dia seguinte, os militantes e simpatizantes do PSOL deixaram o plenário da Câmara conscientes do tamanho da luta, mas convictos em mantê-la até o fim.